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Saltos altos e decotes. Parlamento britânico debateu códigos de vestuário nas empresas

DANIEL LEAL-OLIVAS/GETTY

Discussão surgiu no seguimento de uma petição que pede a alteração da lei para a igualdade no trabalho e que reuniu mais de 150 mil assinaturas

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Quando uma empresa exige que as empregadas do sexo feminino têm de usar collants não opacas e saltos altos com 5 a 10 centimentros de altura e ainda que têm de estar sempre maquilhadas e que não podem ter raízes visíveis se o cabelo for pintado, será isto discriminatório? Será isto legal?

Esta foi a questão em debate no parlamento britânico na segunda-feira, não por causa do Dia da Mulher, que se celebra na quarta-feira, 8 de março, mas sim por causa de uma petição online que reuniu mais de 150 mil assinaturas e como tal teve de ser discutida pelos deputados.

A petição, lançada em maio de 2016 por Nicola Thorp, uma recepcionista de 27 anos que foi despedida por se recusar a usar saltos na PricewaterhouseCoopers (PwC) pede que a lei para a igualdade no trabalho seja revista e que seja ilegal as empresas obrigarem as mulheres a usar saltos altos ou a imporem códigos de vestir "discriminatórios". Como por exemplo usar decotes para captar o público masculino, pintar o cabelo de louro ou usar baton igual ao das colegas.

Estes são alguns casos reais que o Comité para as Mulheres e para Igualdade do parlamento britânico ouviu depois de saber da história de Nicola Thorp e da petição. Segundo conta o El País, o Comité decidiu fazer um estudo sobre o tema e abriu um canal para ouvir histórias semelhantes às de Nicola Thorp. O canal esteve a funcionar entre os dias 8 e 15 de junho de 2016 e só numa semana recebeu 730 testemunhos. Mas poderiam ser mais dado que muitas mulheres optam por não dizer nada com receio de serem despedidas.

Pouco depois, a 24 de junho, o Governo britânico disse que “os códigos de vestuário das empresas devem ser razoáveis e incluir exigências iguais para homens e mulheres" e, na segunda-feira à tarde, durante o debate, lembrou que o que foi pedido a Thorp já é ilegal.

Mas o Comité e alguns deputados alertaram que muitas empresas continuam a ter esses comportamentos, que além de discriminatórios, são prejudiciais à saúde, como o uso de saltos altos. E, nesse sentido, pediu ao Governo para reforçar a lei já existente contra a discriminação e para impôr multas às companhias que quebrem as regras.

Para já, não há ainda qualquer previsão de que vá haver alterações, mas a pressão está a aumentar. A Associated Press conta que, no seguimento da petição, a empresa de trabalho temporário Portico - a mesma que arranjou o emprego a Nicola Thorp na PwC e tinha aquelas regras de vestuário referidas no início deste texto - decidiu adoptar um código neutro no que respeita ao género. E agora, já permite que as mulheres possam usar saltos rasos se preferirem.