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Sociedade

Rui Moreira vai exigir expansão do aeroporto do Porto

LUCÍLIA MONTEIRO

Ampliação está prevista no caderno de encargos da privatização e o presidente da Câmara do Porto, satisfeito com o prémio atribuído ao aeroporto que serve a cidade, vai reivindicar o “cumprimento escrupuloso” do projeto

André Manuel Correia

O presidente da Câmara Municipal do Porto encara com “satisfação” a distinção, anunciada esta segunda-feira, do aeroporto do Porto como o melhor da Europa dento da sua categoria, mas garante que as “forças vivas do Norte” vão fazer os “alertas”, junto do Governo e da ANA, para o “cumprimento escrupuloso” do projeto de expansão do aeroporto, previsto no caderno de encargos da privatização. “Está na altura de pôr mãos à obra”, considera Rui Moreira.

O Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi eleito pelo Airports Council International (ACI) como o melhor da Europa entre os que recebem entre cinco e 15 milhões de passageiros anualmente. A distinção, baseada num estudo de qualidade (Airport Service Quality), reconhece também o aeroporto do Porto como o terceiro melhor entre todos os equipamentos europeus que recebem mais de dois milhões de viajantes.

Em declarações aos jornalistas, Rui Moreira afirma que “quando o aeroporto do Porto é distinguido internacionalmente pela qualidade que tem – e que todos reconhecem – devemos ficar contentes e satisfeitos por saber que isso tem autores”.

Na opinião do edil, “não podemos esquecer que quando o aeroporto foi construído pensava-se que era grande de mais e veio demonstrar que não era”. Moreira destaca igualmente o “grande empenhamento de todos os agentes relacionados com o aeroporto”, apesar de reconhecer nunca ter sido “muito favorável ao modelo de concessão”.

Planos para Lisboa não colocam em causa a expansão no Porto

Prémios à parte, o autarca do Porto afirma que o “aeroporto está a crescer mais depressa do que era estimado” e que, por esse motivo, existe a “necessidade de fazer os ajustamentos necessários para que continue a crescer a este ritmo”. A expansão contemplada no contrato de concessão prevê duas fases de expansão e Rui Moreira garante que olhará “com toda a atenção para o cumprimento escrupuloso” do modelo de privatização.

“Este modelo atual tem capacidade até aos 11 milhões de passageiros. Ainda não estamos lá, mas vamos estar, por este crescimento, provavelmente dentro de dois anos. E está na altura de pôr mãos à obra”, acrescenta o autarca.

Questionado sobre a eventualidade dos planos do Governo para um novo aeroporto de Lisboa poderem colocar em causa a ampliação prevista na base aeroportuária do Porto, Rui Moreira frisa que são “projetos diferentes e separados”. Defende que não se pode “pensar que o aeroporto da Portela vai durar eternamente” e que “seria uma atitude irresponsável um autarca do Norte dizer que o aeroporto de Lisboa tem de estagnar”.

No passado ano, o aeroporto do Porto superou a marca de nove milhões de passageiros, o que representou um aumento de 16% face ao número registado em 2015, de acordo com os dados recolhidos pelo ACI.

O crescimento está inevitavelmente ligado à consolidação da Invicta como um destino turístico de referência, atestada pela distinção de “Melhor Destino Europeu” recentemente atribuída. Não será também de ignorar a influência das companhias aéreas “low cost” com frota e rotas a partir do Porto.

Atualmente, são já seis transportadoras aéreas de baixo custo a operar regularmente no Aeroporto Sá Carneiro, com destaque, desde logo, para a “Ryanair” e para “easyJet”, acompanhadas pela “Transavia”, “Vueling”, “Wizz Air” e a “Eurowings” – esta última com serviço sazonal durante o verão.

A este lote junta-se, a partir de 30 de março, a escandinava “Norwegian Air Shuttle” e a britânica “Monarch”, que chega ao Porto a 28 de abril.