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Portugal, a república pacífica

LUCÍLIA MONTEIRO

Na classificação do Índice Global de Paz, Portugal surge classificado como o quinto país mais pacífico do mundo, numa tabela que organiza 163 países. São 23 indicadores que definem o lugar do país

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Quanto mais não fosse, valha-nos a paz! Portugal é o quinto país mais pacífico (ou mais seguro) entre os 163 países avaliados pelo Índice de Paz Global, uma lista elaborada pelo site VISION OF HUMANITY, uma iniciativa do Instituto para a Economia e a Paz (IEP).

O índice é realizado com base em 23 indicadores quantitativos e qualitativos, que “medem” o nível da paz em cada país. Os indicadores podem ser agrupados em três temas gerais: nível de segurança e proteção da sociedade; número de conflitos internacionais e grau de militarização.

Entre esses fatores, contaram especialmente para Portugal a militarização (1,4 pontos em 5), sociedade e segurança (1,6 em 5) e ainda conflitos internos (1,1 em 5), mas há outros, como a perceção da criminalidade, o nível de manifestações e crimes violentos, o impacto do terrorismo ou número de pessoas deslocadas.

Acesso a armas, intensidade de conflitos internos, crimes violentos, mortes por conflitos organizados (internos), número de conflitos, pessoas deslocadas e relações com países vizinhos são os indicadores que acusam em Portugal os níveis mais baixos (1 ponto em 5). Não é por acaso que a segurança é apontada como um dos fatores fundamentais para o afluxo de turistas ao país no último ano.

O lugar de Portugal é citado no “Livro Branco sobre o Futuro da Europa” apresentado por Jean-Claude Juncker na semana passada. Entre os cinco lugares cimeiros estão precisamente três países da União Europeia: a Dinamarca e a Áustria (2º e 3º lugar, respetivamente), depois da Islândia, que ocupa o primeiro lugar. Em quarto, é preciso viajar até às nossas antípodas, onde se situa a Nova Zelândia.

Europa, continente de paz

O facto, aliás, de 15 dos 20 dos países reconhecidos como mais pacíficos se situarem na Europa faz com que este continente se mantenha como a região mais pacífica do mundo, um feito que historicamente se fica a dever à existência da União Europeia. Mas a média da Europa deteriorou-se devido à ocorrência dos atentados terroristas.

No fim da tabela estão, naturalmente, a Síria (em 163.º lugar), antecedida por Sudão, Iraque e Afeganistão. O país que mais “caíu” no índice desde 2014 foi a Líbia, que no ano passado (o índice avalia os países no ano anterior) passou para o 149º lugar. Seguiu-se a Ucrânia, devido à guerra larvar que atravessa desde a ocupação da Crimeia pela Rússia, na sequência da revolução que derrubou o anterior Presidente, Viktor Yanukovych.

Em contrapartida, os países que mais melhoraram foram a Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Egito e Benim.

De acordo com o relatório da organização, se, relativamente a 2014, 81 países se tornaram mais pacíficos, em contrapartida em 78 diminuiu a paz. Atualmente, o Médio Oriente e o norte de África são as regiões menos pacíficas do mundo desde que se iniciaram estes índices, em 2008, devido principalmente à agitação social e á instabilidade política, bem como ao terrorismo.

Estes três indicadores são, aliás, os que mais pioraram em todo o mundo. O impacto do terrorismo deteriorou-se em 77 países (e melhorou em 48). Só 37 dos 163 países avaliados não acusam este indicador.

Também a intensidade dos conflitos armados no interior dos Estados aumentou muito, sendo que o número de vítimas mais do que triplicou entre 2010 e 2014, passando de 49 mil para 180 mil. O impacto económico devido à violência foi de 14,3 biliões de dólares (€13,4 biliões), isto é, 13,4% do PIB mundial. Por pessoa, “custa” a módica quantia de €1765.