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PJ faz buscas na Ordem dos Enfermeiros após queixa da bastonária

Ao Expresso, a bastonária Ana Rita Cavaco afirma: “Este é o processo desejável e significa que a Justiça está a fazer o seu trabalho”

A Polícia Judiciária realizou buscas na Ordem dos Enfermeiros (OE), confirmou o Expresso junto de fonte próxima da investigação. A operação policial está relacionada com uma queixa feita há um ano pela bastonária, Ana Rita Cavaco, sobre alegadas irregularidades financeiras por parte de dirigentes na Ordem.

Ana Rita Cavaco instaurou recentemente processos disciplinares contra Graça Machado, vice-presidente da Ordem, e ao director financeiro, José Lopes. E acusou-os de terem cometido ilegalidades.

Ao Expresso, a bastonária explicou que ao final da manhã desta terça-feira as buscas ainda estava a decorrer. "Os inspetores vieram à Ordem buscar papéis e documentos referentes aos mandatos anteriores, e até ao dia de hoje, na sequência das denúncias que fiz no ano passado". E conclui: "Este é o processo desejável e significa que a Justiça está a fazer o seu trabalho"

Em fevereiro, numa entrevista ao Expresso, quando inquirida sobre o momento mais difícil como bastonária, Ana Rita Cavaco respondeu taxativamente: "Foi quando cheguei e percebi que tudo o que estou a combater lá fora tinha cá dentro: interesses instalados, pessoas que acham que os cargos servem para viverem à custa deles. Encontrei uma mercearia, não encontrei uma Ordem profissional. Tive de falar olhos nos olhos com muitas pessoas, com o diretor do Tribunal de Contas por exemplo, e prestar contas em nome da instituição a outras entidades."

A uma nova pergunta sobre se tinha falado ao Ministério Público, respondeu de forma positiva: "Não posso fazer o que faço e ter aqui situações menos claras. Até pessoas que vieram comigo já cá não estão, porque não conheço amigos no exercício deste cargo. É muito fácil certas pessoas deslumbrarem-se e não estaria a proteger o que é de todos se não o fizesse."

No dia seguinte, o "Diário de Notícias" garantia que a bastonária tinha avançado com dois processos disciplinares contra Graça Machado e José Lopes. A primeira por acumulação ilegal de ordenados, despesas sem justificação e uma "cunha", enquanto José Lopes foi acusado de ter alterado o sistema informático que controla as horas de trabalho, de não ter pago o IMI de vários imóveis propriedade da OE e de também ter metido uma "cunha".

"São acusações infundadas", respondeu ao "DN" a advogada de ambos os arguidos nos respetívos processos disciplinares.

Posteriormente, segundo noticiou então a TVI, o diretor financeiro e a vice-presidente, ambos suspensos de funções, acusaram a bastonária de várias irregularidades relacionadas com o preenchimento de despesas e com a reestruturação dos serviços jurídicos, alegadamente em interesse próprio.