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Dois argelinos fogem de navio atracado no Barreiro

Os imigrantes partiram o vidro e atiraram-se ao rio. Fugiram a nado. Autoridades portuguesas “estão a realizar todos os esforços para os localizar”

Dois argelinos partiram o vidro de um navio-tanque atracado no Barreiro e fugiram a nado pelo rio Tejo. Ambos tinham embarcado clandestinamente no Queen Isabella no porto de Arzew, na Argélia. Portugal era o destino final. A fuga aconteceu na quarta-feira, mas só agora foi conhecida após a notícia ter sido avançada pelo “Correio da Manhã”, este domingo. O Expresso confirmou a informação junto do ministério da Administração Interna (MAI), que assegurou que as autoridades nacionais “estão a realizar todos os esforços para os localizar”.

A tripulação só se apercebeu que os dois argelinos, que não possuíam documentos, estavam a bordo quando atracaram no porto espanhol de Huelva. Ficaram retidos numa das salas do navio.

As autoridades portuguesas foram alertadas para a situação. “O SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras] emitiu um alerta comunicando às autoridades de controlo costeiro e marítimo competentes e solicitando a colaboração no sentido de acompanhar o trajeto do navio em águas nacionais”, diz o MAI.

Quando a embarcação parou no Barreiro, o SEF deslocou-se ao local “para aferir da situação documental, passaportes/vistos” dos dois imigrantes e inspecionar as “condições de saúde, habitabilidade e segurança, bem como da vigilância”. Este é um procedimento “normal” quando são detetados “clandestinos a bordo”.

“Não existe informação sobre estes dois cidadãos relacionada com a segurança nacional, pelo que se aponta, mais uma vez, para mais um caso ligado ao fenómeno da imigração ilegal”, explica o MAI.

Apesar do SEF ter-se disponibilizado para vigiar, o comandante do navio disse “não necessitar pois dispunha de local próprio para o efeito e a tripulação tomaria conta da situação”.

Entretanto, enquanto o navio fazia a descarga, os dois argelinos conseguiram escapar. Partiram a janela, atiraram-se ao rio e nadaram até terra. Continuam a monte.

​“As autoridades policiais estão a realizar todos os esforços para localizar estes dois cidadãos”, informa o MAI. “Navios transportando clandestinos a bordo não é uma novidade e existe um conjunto de procedimentos e medidas que nestes casos são adotados”, acrescenta.

Seis cidadãos magrebinos - dois marroquinos e quatro argelinos - terão conseguido fintar as autoridades nos últimos meses. Ao contrário deste caso, os outros seis aconteceram no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, enquanto esperavam pelos voos de escala.

O primeiro acontecimento do género deu-se em junho de 2016 com um marroquino que vinha de Casablanca e tinha como destino o Brasil. Em julho, e na mesma rota, um outro cidadão marroquino também conseguiu fugir, e a 22 e 27 de setembro, foram dois argelinos que iam para Casablanca que fugiram e entraram ilegalmente no país.

Em outubro do ano passado, seis argelinos tentaram forçar as portas de emergência de um avião com destino a Argel, na Argélia e com saída de Lisboa às 15h30, que já estava em andamento na pista e prestes a levantar voo. A tripulação do voo chamou então a polícia que, juntamente com o SEF, deteve os seis homens levando-os depois para a zona de detenção da PSP no aeroporto. Depois, receberam ordem de expulsão do país.