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Em Nova Iorque, a mulher foi romântica e moderna

andré de atayde

Nos dois dias de Portugal Fashion em Nova Iorque houve aplausos, muitos, sorrisos vários, e inúmeros sinais de aprovação. A moda portuguesa foi, uma vez mais, mostrar a qualidade do trabalho que se faz do lado de cá do Atlântico

André de Atayde

André de Atayde

texto, fotos e vídeos

Jornalista

Lábios vermelho vivo e vestido justo de latex que não lhe esconde a silhueta. É loira, é alta e tem pose confiante. Desfila por entre flashes e dezenas de fotografias tiradas com telemóvel. As atenções estão nela e isso parece diverti-la. Faz pose e aceita entrar nas 'selfies', enquanto se encaminha para o lugar que lhe reservaram na primeira fila.

Ela é 'Pandemonia Panacea', o alter-ego de um artista britânico que pretende ser a representação aspiracional da vida moderna. Aquilo que algumas pessoas gostavam de ser. É uma coleção de símbolos e sinais. Do cabelo à carteira, das pernas aos lábios, tudo são ideais de beleza e sucesso representados por esta boneca insuflável 'versus' personagem de Roy Lichtenstein.

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A vida pública de Pandemonia começou em 2009, nas inaugurações de exposições em galerias de arte. A primeira vez, na de Tracey Emin. De lá para cá passou a ter lugar marcado nas principais Semanas da Moda mundiais. Naquele dia, em Nova Iorque, sentou-se na primeira fila para assistir ao desfile de Katty Xiomara, inspirado na música "La Luna y El Toro", de Carlos Castellano Gómez, imortalizada pelos Gipsy Kings.

Uma coleção outono-inverno 2017/18 para "uma mulher com atitude, que não tem medo de se mostrar feminina mas não demasiado reveladora. Além disso, é, talvez, a coleção mais romântica que fiz nos últimos tempos, sem ser aquele romantismo vintage". Sabe-se que o romantismo pede música. E nada melhor que abrir o desfile ao som de indie-rock.

Como se representa um touro que se apaixona pela lua? É nos tons prateados dos vestidos e saias plissadas? Em padrões com mochos e raposas, animais noturnos por excelência? Nos vestidos com folhos e bolinhas, ou nos boleros e calças de cintura muito subida que evocam a influência espanhola? Ou será nas longasS capas que remetem para as de toureiro? No universo de Katty Xiomara é tudo isto a representação de uma história de amor impossível.

A mulher sofisticada também veste neoprene

Neste regresso da moda portuguesa a Nova Iorque, Miguel Vieira também esteve presente, e com a mulher a preto e branco, as suas cores de eleição. O lado feminino da sua coleção "Reflexos" - como nos mostramos aos outros com o que vestimos - "é a de uma mulher sofisticada mais casual, que não tem necessariamente um ar clean". Novas técnicas e novos tecidos, como o neoprene, traduzem-se em "cortes mais contemporâneos", diz.

Miguel Vieira é um apaixonado por novas técnicas de confeção. No desfile em Nova Iorque apresentou três inovações: o amarrotado, "que depois de feito entra num molde que fixa o tecido e nunca mais sai, não perde a forma. E é possível ser feito em todas as peças de maneira igual"; o aglutinato, "uma sobreposição de tecidos que entra numa máquina e em que o pelo do tecido de baixo é puxado para cima" e, por fim, o plissado "em pele microperfurada, feito a laser, e que dá leveza ao tecido", explica.

Os designers portugueses voltaram a deslumbrar a massa crítica da moda internacional. Qualidade, bom gosto e inovação: trunfos que os colocam num patamar elevado. Portugal está, com mérito, "na moda", e isso sente-se nos sorrisos e aplausos de quem não é português.

O Expressou viajou a convite do Portugal Fashion