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À espera que a chuva pare e que a grua avance

EM BAIXO. Entulho nas traseiras dos prédios afetados

TIAGO PETINGA

A chuva caída em Lisboa esta sexta-feira impediu o avanço das primeiras medidas para conter as derrocadas na Rua Damasceno Monteiro, na Graça. Uma grua de 60 metros será a ferramenta crucial para os trabalhos

É uma obra em que as coisas podem mudar a cada momento”, diz Helena Bicho, a diretora municipal de Projetos e Obras da Câmara de Lisboa.

Os aluimentos de terras nas traseiras de prédios da rua Damasceno Monteiro (ao bairro da Graça), em Lisboa, estão a ser um cabo de trabalhos. Em primeiro lugar são um tormento para pelo menos 78 moradores de cinco prédios (números 102, 104, 106, 108 e 110) que foram desalojados, na sequência das derrocadas que começaram no início desta semana. As primeiras afetaram os números 106 e 108, os edifícios em pior estado.

EM CIMA. O jardim, com piscina ao canto, do condomínio Vila da Graça, cujos terrenos aluíram

EM CIMA. O jardim, com piscina ao canto, do condomínio Vila da Graça, cujos terrenos aluíram

TIAGO PETINGA

Mas um cabo de trabalhos estão também a ser os esforços da autarquia para suster os danos e iniciar as obras de recuperação. Com efeito, o município chamou a si a tarefa, pois tomou posse administrativa tanto dos cinco prédios como do condomínio que lhes é contíguo, cujos terrenos ditaram o colapso do muro de suporte.

Na tarde desta sexta-feira, dia em que Lisboa esteve sob chuva, os primeiros esforços visavam cobrir com oleados o pequeno jardim interior do condomínio e o talude que entretanto ruiu parcialmente. Mas as condições climáticas impediam a colocação dos plásticos, que visam exatamente “impedir a infiltração de água no solo”, diz Helena Bicho. Uma pescadinha de rabo na boca que só termina se São Pedro der umas tréguas.
A meio da tarde desta sexta-feira, quando conversou telefonicamente com o Expresso, Helena Bicho contava que os oleados já se encontram no local, mas que fora ainda impossível a sua instalação. “É muito inseguro intervir no local”, salienta.

Plano assente (mas só no papel)

De qualquer modo, é pelos terrenos do condomínio que irão começar os trabalhos. Com uma duração que é uma incógnita. Para lá do fator climático que pode pesar no arranque, trata-se de “uma obra feita sem projeto. Este ir-se-á fazendo à medida que se for conhecendo a realidade no terreno”, explica a diretora municipal de Obras.

Em todo o caso a sequência de frentes já está definida. ”As primeiras operações irão passar pela contenção do terreno do condomínio”, para o que serão utilizadas microestacas de aço, adianta a responsável da autarquia. Quantas e de que tamanho? pergunta o jornalista. “Ainda estamos a fazer a avaliação”, responde Helena Bicho.

Com o terreno do condomínio contido, entra-se então na segunda fase: a consolidação dos terrenos nas traseiras dos edifícios afetados, junto ao talude que caiu. A parte que ruiu será reerguida e a restante “será reforçada”, acrescenta a diretora municipal de Obras.

À espera da grua

Só então serão retiradas as toneladas de escombros existentes no local. Para um leigo pode parecer estranho que a limpeza de entulho seja deixada tanto para o fim, mas Helena Bicho explica: “Aqueles escombros acabam por dar alguma estabilidade aos edifícios. Se fossem já retirados, poderiam provocar uma descompressão”.

A SOLUÇÃO Identificação dos cinco prédios afetados, tendo nas suas traseiras o muro frente ao condomínio, que ruiu parcialmente. A grua será colocada na Rua Damasceno Monteiro e “voará” sobre os telhados

A SOLUÇÃO Identificação dos cinco prédios afetados, tendo nas suas traseiras o muro frente ao condomínio, que ruiu parcialmente. A grua será colocada na Rua Damasceno Monteiro e “voará” sobre os telhados

IMAGEM GOOGLE MAPS

Quando chegar a esta fase, já estará implantada na malha da Graça uma enorme grua, que “deve estar no local dentro de dias”, diz a dirigente municipal. Será colocada na Rua Damasceno Monteiro, que para isso já começou na tarde desta sexta-feira a ser cortada ao trânsito. Outros trabalhos preparatórios são também já visíveis: o estaleiro da obra começou a ser montado e “já há máquinas dentro do condomínio”, segundo Helena Bicho.

A grua que irá pontuar nos próximos tempos uma parte do horizonte do bairro da Graça terá uma lança de 60 metros, braço que lhe permitirá passar sobre os telhados dos edifícios e operar entre as traseiras destes e o penhasco do condomínio.