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Excesso de emissões dos carros da VW vai provocar 1200 mortes prematuras na Europa

Getty

Cada vítima perderá em média 10 anos da sua vida devido ao excesso de emissões entre 2008 e 2015 dos carros a diesel defeituosos vendidos pelo Grupo Volkswagen

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), publicado esta sexta-feira na revista científica internacional "Environmental Research Letters", estima que 1200 pessoas terão morte prematura na Europa, perdendo em média 10 anos da sua vida, devido ao excesso de emissões entre 2008 e 2015 dos carros a diesel vendidos pelo Grupo Volkswagen (VW).

Perto de 500 mortes prematuras vão ocorrer na Alemanha e mais de 60% nos países vizinhos, como a Polónia, República Checa e França. Steven Barrett, professor daquela universidade americana, afirmou à publicação científica online pys.org que as emissões de um automóvel a diesel da VW a circular na Alemanha "podem ter facilmente impactos significativos nos países vizinhos, especialmente nas áreas mais densamente povoadas", porque a poluição "não está limitada pelas fronteiras políticas e espalha-se por todo o lado".

Em setembro de 2015, a VW, o maior fabricante de automóveis do mundo, admitiu publicamente que tinha instalado equipamentos "defeituosos" em 11 milhões de carros a diesel vendidos em todo o mundo entre 2008 e 2015.

Emissões quatro vezes superiores aos limites legais

Os equipamentos estavam concebidos para se adaptar aos testes de laboratório, fazendo com que os automóveis parecessem cumprir os limites ambientais fixados por lei quando, na realidade, emitiam gases poluentes como o óxido nítrico a um nível em média quatro vezes superior ao limite estabelecido na Europa.

Os cientistas do MIT afirmam mesmo que o excesso de emissões dos modelos da VW "defeituosos" já teve um impacto negativo na saúde pública nos países onde foram vendidos. Para chegar à estimativa de 1200 mortes prematuras, o MIT amalisou o impacto na saúde de 2,6 milhões de automóveis vendidos na Alemanha das marcas VW, Audi, Skoda e Seat.

Quanto ao futuro, a equipa do MIT concluiu que, se a VW conseguir reparar os automóveis "defeituosos" de modo a que estejam de acordo com os limites europeus de emissões no final de 2017, serão evitadas 2600 mortes prematuras adicionais e 4,1 mil milhões de euros de gastos em saúde.