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Ruy de Carvalho lamenta abandono da Cultura e pede aos jornalistas que combatam Trump

ANTONIO PEDRO SANTOS/ Lusa

No dia em que faz 90 anos, o ator foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito por Marcelo Rebelo de Sousa

O ator Ruy de Carvalho, que no dia do seu 90.º aniversário foi condecorado pelo Presidente da República, lamentou esta quarta-feira que a cultura em Portugal esteja "um bocadinho abandonada" e pediu aos jornalistas para combaterem o Presidente norte-americano.

Ruy de Carvalho falava aos jornalistas na sala das Bicas, no Palácio de Belém, em Lisboa, à saída da cerimónia na qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o condecorou com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, a quinta condecoração na vida do ator que faz esta quarta-feira 90 anos e conta já com 75 anos de carreira.

"Vamos com coragem, rapazes. Vamos pensar que o ministro da Cultura está a ouvir o que estamos a dizer. Eu acho que a cultura em Portugal está um bocadinho abandonada, que precisa de ser posta em cima", respondeu Ruy de Carvalho quando questionado sobre a mensagem que gostaria de deixar aos restantes atores.

O ator recordou que "um povo culto é um povo que sabe fazer aquilo que quer", considerando que "o povo só ordena quando tiver capacidade para governar".

"Desejo-vos um bom trabalho sempre e que tenham a profissão mais digna do mundo, que é o jornalismo, e que combatam o Trump, com aquilo que ele diz dos jornalistas. São grandes lutadores, os jornalistas, e colaboram muito no desenvolvimento do país quando trabalham nesse sentido", disse, dirigindo-se diretamente aos jornalistas presentes.

Na opinião de Ruy de Carvalho, "qualquer reconhecimento que seja feito aos atores e aos artistas em geral contribui sempre para o desenvolvimento e para a melhoria da qualidade" e é por isso que o público é tão necessário, seja para aplaudir ou para patear.

"Estou muito feliz, como calculam. É uma linda condecoração que recebi hoje, é um mérito que eu julgo que mereço pelo trabalho que fiz e pela vida que tenho feito como homem e como profissional do teatro", assumiu.
O ator assegurou que vai trabalhar sempre que o chamem: "nunca negarei o trabalho porque trabalhar ajuda-me a viver melhor".

Questionado sobre o que significavam os 90 anos que hoje completa, Ruy de Carvalho começou por dizer que estava muito emocionado e, deixando o microfone para trás, deslocou-se para mais perto dos jornalistas para ouvir as questões.

"Estou rico, minha filha, estou muito rico", disse, visivelmente emocionado.

A quem lhe pede que nunca morra, o ator lamentou não poder garantir que isso possa ser realidade, mas deixou um apelo: "foi-nos dada uma coisa que temos que respeitar que é a vida. Não deixem de viver a vida nunca".

Rui de Carvalho despediu-se do Palácio de Belém com um "até logo aqueles que forem à minha noite", referindo-se à homenagem no Salão Preto e Prata, do Casino Estoril, num espetáculo em que participam vários artistas, entre os quais Rui Veloso, Dulce Pontes, Luís Represas e Toy, além dos atores João e Henrique de Carvalho, respetivamente filho e neto do ator.