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Rui Moreira anuncia Paulo de Azevedo como novo presidente da STCP

Rui Duarte Silva

Novo presidente executivo é uma escolha pessoal do presidente da Câmara do Porto e possui experiência como gestor financeiro

André Manuel Correia

O presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP) anunciou esta quarta-feira que Paulo de Azevedo, ex-administrador do banco BCP e membro da comissão de honra da lista de Rui Moreira nas últimas eleições autárquicas, será o novo presidente executivo da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP). Apesar de continuar a ser propriedade do Estado, a gestão ficará a cargo, durante sete anos, de seis municípios servidos pela rede de transportes urbanos.

O acordo para a transferência de competências foi rubricado em janeiro e ainda se espera pela aprovação do Tribunal de Contas, mas o novo homem forte da empresa já é conhecido e foi uma escolha pessoal de Moreira. “É uma escolha minha”, afirmou o presidente da Câmara do Porto aos jornalistas após a reunião pública do órgão executivo municipal em que o tema foi debatido.

“Escolhi pela experiência em matéria de gestão dos mais variados dossiês, por ser uma pessoa do Porto e que aceita um desafio que não é fácil”, frisou o autarca.

Empresa com recursos na reserva

Mas quem é Paulo de Azevedo Pereira da Silva? Esteve à frente do banco de investimento do Millenium BCP, integrou a comissão de honra da candidatura de Rui Moreira e em setembro de 2013 presidiu à comissão instaladora da Instituição Financeira de Desenvolvimento.

No currículo conta com quase três décadas ligado ao sector financeiro, é licenciado em economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto e integrou o “Executive Program do Insead”. Trata-se, portanto, de alguém com uma vasta experiência em gestão financeira, algo essencial numa empresa em que as contas estão longe de ser favoráveis.

No ano de 2015, a STCP verificou perdas de 31,6 milhões de euros. A quebra na faturação e nos passageiros foi de 7%. Até ao final de junho de 2016, os resultados não eram mais animadores, com a exploração operacional a apresentar perdas de 5,2 milhões.

A transferência da gestão da Sociedade de Transportes Públicos do Porto foi assinada a 2 de janeiro e fica à responsabilidade dos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia, Valongo, Matosinhos, Maia e Gondomar.

O modelo é, no entanto, complexo, uma vez que apesar do novo presidente executivo ser nomeado pela autarquia do Porto (que representa 54% do serviço), a administração financeira continua a pertencer ao Estado Central e cabe ao executivo nomear um responsável para o cargo, atualmente ocupado por Pedro Morais.

Durante o debate na reunião pública de Câmara, o vereador socialista Manuel Pizarro afirmou ser “mais produtiva uma gestão com uma lógica de proximidade” e considera que a CMP e as restantes autarquias “já deram provas de que são capazes de fazer uma gestão com competência e maior eficiência”. Na opinião de Pizarro, presidente da Federação Distrital do PS, o atual modelo poderá levar a “uma grande melhoria” no serviço prestado pela rede de transportes à população.

Por sua vez, o vereador da CDU Pedro Carvalho fez notar que “o problema da gestão da STCP, nos últimos anos, é que foi preparada para ser privatizada ou concessionada”, partilhando as críticas de Manuel Pizarro ao Governo liderado por Pedro Passos Coelho, quando a privatização da empresa foi quase uma realidade. “Queriam que houvesse índices de rentabilidade na empresa retirando tudo aquilo que era preciso. Foi por isso que se deu a destruição do serviço e até a perceção das pessoas em relação a esses transportes públicos”, acrescentou ainda o eleito pela CDU.

Para este ano, a STCP anunciou a renovação de metade da frota, com a aquisição de 200 novos veículos.