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Ex-agente da CIA Sabrina de Sousa deverá ser libertada

EM CASA. Sabrina de Sousa fotografada em dezembro de 2016 no apartamento onde estava a morar em Lisboa

TIAGO MIRANDA

Sabrina de Sousa foi informada que afinal não iria ser extraditada para Itália para cumprir pena de prisão. Advogado disse ao Expresso que “tudo indica” que a norte-americana seja libertada ainda hoje. A ex-agente da CIA tinha sido condenada pelo rapto de um imã egípcio em Milão. Decreto do Presidente italiano foi decisivo

Sabrina de Sousa já estava no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, quando foi informada esta quarta-feira de manhã que não iria viajar para Itália para cumprir a pena de prisão. A ex-agente da CIA estava detida em Portugal há uma semana e em vias de ser extraditada para Itália mas a viagem foi evitada com um indulto de última hora da Justiça de Milão.

De acordo com o seu advogado, Manuel Magalhães e Silva, um procurador de Milão revogou a ordem de detenção europeia que recaía sobre a ex-agente, que tem dupla nacionalidade (portuguesa e norte-americana). Os agentes italianos da Interpol que estão em Portugal para a extraditar foram informados, pelo que a extradição não deverá mesmo acontecer.

"Ontem ao fim do dia, o presidente italiano Sergio Mattarella, concedeu à ex-agente um perdão parcial, reduzindo sua sentença para três anos. De acordo com a lei italiana, uma pena igual ou inferior a 3 anos de prisão pode ser substituída por trabalho comunitário", explica ao Expresso o advogado, que considera uma "surpresa" esta decisão da Justiça.

Inquirido se Sabrina de Sousa iria ser libertada ainda esta quarta-feira, Magalhães e Silva respondeu: "Tudo indica que sim".

Neste momento, o advogado italiano de Sabrina de Sousa está num tribunal de penas em Milão a requerer a substituição da pena de prisão para trabalho a favor da comunidade.

Ao final da manhã desta quarta-feira, Sabrina de Sousa já tinha saído no aeroporto de Lisboa e encontrava-se nas instalações da Polícia Judiciária. "Está a aguardar pelos trâmites burocráticos", afirma Magalhães e Silva.

No início do ano, Sabrina de Sousa, que foi viver para Lisboa em maio de 2015, virou-se para a administração de Donald Trump como a derradeira tábua de salvação capaz de evitar a sua ida para a cadeia em Itália, onde foi condenada a quatro anos de prisão pelo seu envolvimento no rapto em 2003 de Abu Omar, imã de Milão, identificado na época pela CIA como um suspeito de terrorismo.

Omar seria levado em segredo para o Egito, o seu país Natal, onde foi mantido e torturado numa prisão local pelos serviços do então ainda presidente egípcio Hosni Mubarak, um histórico aliado de Washington.

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