Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Espanha sabia quem eram os chilenos que fugiram de Caxias (e libertou um deles na mesma)

FUGA. O luso-israelita, Bitton Matos, fugiu a 19 de fevereiro do EP de Caxias. Cortou as grades da janela da cela Q21

E-mail de autoridades de Ayamonte revela que Espanha sabia que os dois chilenos detidos em Barajas eram os fugitivos de Caxias

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

A razão pela qual a polícia espanhola libertou o chileno Roberto Ulloa, depois de o intercetar no domingo no aeroporto de Barajas, em Madrid, permanece um mistério. Os espanhóis, que receberam o mandado de detenção internacional de Lisboa no final do dia de segunda-feira, alegaram não ter tido capacidade de o reter no Centro de Internamento de Estrangeiros de Madrid. E às 19h de domingo já estava a sair de Barajas, ao contrário do cúmplice, Jorge Naranjo, que ficou detido.

Mas um e-mail enviado pelo Centro de Cooperação Policial e Aduaneiro de Castro Marim/Ayamonte enviado para a PJ, SEF e GNR às 22h06 de domingo, revela que as autoridades do país vizinho sabiam que os dois chilenos do aeroporto eram os mesmos que tinham fugido de Caxias juntamente com o luso-israelita Joaquim Bittom Matos. “Temos o conhecimento da fuga dos três reclusos do estabelecimento prisional de Caxias”, diz-se no documento.

Espanha alertava que os dois chilenos tinham sido detidos em Barajas, pendendo sobre Roberto Ulloa uma “infração à lei de estrangeiros”, enquanto que Jorge Naranjo era suspeito de “usurpação e infração à lei de estrangeiros”. Nos casos de violação desta lei as autoridades espanholas têm permissão para realizar detenções temporárias, para posterior expulsão do país.

Apesar de o mandado de detenção internacional não ter sido enviado no dia da fuga dos três reclusos, Portugal já tinha avisado o CCPA espanhol, através do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, às 9h50 desse domingo. E antes das 17h do mesmo dia, foi registada no Sistema de Informação Schengen, a medida cautelar de “mandado de captura/detenção” com vista à recaptura dos três reclusos, com a indicação de “não admissão” no espaço Schengen. Ulloa viria a ser detido em flagrante durante um assalto em Barcelona, esta quarta-feira. Ambos vão ser agora extraditados.

Portugal não conseguiu emitir um mandado de detenção europeu contra os reclusos chilenos porque ao domingo os tribunais estão fechados e não há um magistrado que possa passar o papel essencial para que pudessem ficar presos em Espanha até serem extraditados.

O MP de Cascais foi contactado na segunda-feira pela PSP e pelos serviços prisionais. “No domingo há um magistrado com telemóvel de serviço e que pode ser contactado em situações de emergência e isso não aconteceu”, diz uma fonte judicial. Mas mesmo que fosse contactado, só muito dificilmente o magistrado poderia passar o mandado porque teria de ter acesso ao tribunal e ao processo e o edifício está fechado e não há funcionários judiciais de serviço”.