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O que mudou em Portugal nos últimos 30 anos?

Portugal trocou o escudo pelo euro em 2002

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Estreia esta quarta-feira a série de televisão “Europa 30”, um documentário em seis episódios que compara a vida dos portugueses antes de 1985 com a de agora. Antes de Portugal entrar na Europa, quem viajasse de carro até Itália tinha de mostrar o passaporte três vezes e usar quatro moedas diferentes para meter gasolina. Bem mais complicado do que agora, não é? Veja o que mudou no dia a dia de todos nós

Em 1985 a autoestrada que liga Lisboa ao Porto terminava em Aveiras de Cima e só recomeçava perto da cidade invicta. A rede viária era muito pior, havia menos estudantes a frequentar o ensino superior, e os supermercados tinham uma oferta mais limitada de produtos.A adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia [que mais tarde mudaria de nome para União Europeia] mudou o país. A série documental “Europa 30”, que estreia esta quarta-feira na RTP 2, às 20h50, faz uma análise comparativa do que era a vida dos portugueses antes de 1986 e o qué atualmente.

Ao longo de seis episódios temáticos, a realizadora Joana Pontes recorda-lhe que a moeda nesse tempo era o escudo, e que para ir a Badajoz, Salamanca ou Vigo... ali mesmo do outro lado da fronteira, era obrigatório usar passaporte e trocar escudos por pesetas. No regresso, ficava com os bolsos cheios de moedinhas estrangeiras que não tinha gasto.

A série que estreia esta quarta-feira na RTP 2 é um projeto do vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa e diretor do IPRI, Nuno Severiano Teixeira, e do investigador David Castaño. Realizada por Joana Pontes – que acumula a experiência de realização televisiva com a preparação de um doutoramento em História Contemporânea – “Europa 30” perspetiva o que a entrada de Portugal na Europa trouxe de bom e menos bom para a vida dos cidadãos.

“Começámos a filmar no fim de maio, depois de um grande trabalho de pesquisa de imagens de arquivo feito pela Maria João Torgal. E logo a seguir fizemos a primeira filmagem fora do país, na altura do referendo sobre o Brexit”, diz ao Expresso, Joana Pontes: “Era um momento determinante para o futuro da Europa; na altura entrevistámos vários emigrantes portugueses daquela que é considerada a geração mais bem preparada de sempre, que são pessoas que têm um espírito europeu”.

Cartaz onde se lê: “Não sou britânico, sou europeu”

Cartaz onde se lê: “Não sou britânico, sou europeu”

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O programa Erasmus fez mais pela criação do espírito europeu do que muitas normas e diretivas europeias. Entre as dezenas de pessoas que foram entrevistadas para os seis programas de “Europa 30”, Joana Pontes recorda o testemunho de alguns académicos que recordam que as suas vivências de estudantes noutros países europeus foram determinantes para defender um projeto de União inclusiva e participante.

Os autores da série entrevistaram pessoas comuns, académicos, protagonistas da adesão de Portugal à CEE e gente que negociou a adesão ao Euro, entre muitos outros aspetos.

O documentário foi “pensado na perspetiva do cidadão” explica Nuno Severiano Teixeira.

“Democracia” é o título do episódio desta quarta-feira; seguem-se “Gerações”, “Economia”, “Euro”, “Fronteiras” e “Futuro”. Trinta anos passados sobre a adesão de Portugal à CEE, “acontecimento marcante da nossa história recente, e numa época em que o projeto europeu está a ser posto à prova, torna-se pertinente fazer um balanço deste processo em permanente evolução”, diz a produtora da série “Vende-se Filmes”. “Europa 30”, que será transmitida pela RTP 2, teve o apoio do Parlamento Europeu.

Com esta série os autores esperam contribuir para aproximar a Europa dos cidadãos, e evitar que as pessoas não olhem para Bruxelas como “aquela instituição que manda uns fundos para Portugal”. A mensagem é que temos de “passar do eles ao nós” diz Joana Pontes, porque as políticas europeias serão que todos nós “quisermos e escolhermos”.