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Vice de Trump garante “forte compromisso” de cooperação com UE

FRANCOIS LENOIR/REUTERS

Em Bruxelas, o vice-presidente norte-americano Mike Pence defendeu a necessidade de “aprofundar a parceria política e económica” a cooperação com a União Europeia no combate ao terrorismo

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, assegurou esta segunda-feira em Bruxelas que a administração de Donald Trump tem o "forte compromisso" de prosseguir a cooperação com a União Europeia, porque Estados Unidos e Europa "partilham os mesmos valores".

"Hoje é meu privilégio, em nome do Presidente [Donald] Trump, expressar o forte compromisso dos Estados Unidos em prosseguir a cooperação e a parceria com a União Europeia.

Independentemente das nossas diferenças, os nossos dois continentes partilham a mesma herança, os mesmos valores, e acima de tudo, o mesmo objetivo: promover a paz e a prosperidade através da liberdade, da democracia e respeito pelo Estado de Direito, e nesses objetivos continuaremos comprometidos", disse.

Numa declaração à imprensa após um encontro com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o vice-presidente disse ser intenção da nova administração norte-americana "aprofundar a parceria política e económica" e apontou a necessidade de cooperação no combate ao terrorismo, recordando os atentados de há cerca de um ano em Bruxelas.

"Temos de ser fortes e temos de ser unidos para enfrentar as ameaças à segurança e estabilidade da Europa. É pungente pensar que há um ano, aqui em Bruxelas, no coração da Europa, três ataques suicidas horrendos tiveram lugar (em março de 2016), matando 33 vítimas inocentes, incluindo quatro norte-americanos, e provocando centenas de feridos", apontou.

Assegurando que os Estados Unidos continuarão a fazer tudo ao seu alcance, em parceria com a UE e aliados na Europa, "para assegurar que tais ataques não voltam a acontecer", Pence "convidou" a União Europeia "a juntar-se aos esforços dos Estados Unidos para continuar a intensificar a luta contra a ameaça terrorista do radicalismo islâmico", o que, apontou, "exige muita coordenação e troca de informação".

Por seu lado, o presidente do Conselho Europeu agradeceu a Pence por ter aceitado o convite para se deslocar às instituições, para uma reunião que era "necessária", pois "muitas coisas aconteceram no último mês", e não é possível "fingir que nada mudou".

"Contamos, como sempre contámos no passado, com o apoio inequívoco, e deixem-me repetir inequívoco, à ideia de uma Europa unida", advertiu, numa referência velada a declarações de Trump, que saudou a saída do Reino Unido da UE e antecipou novas saídas do bloco europeu.

Apontando que fez perguntas diretas ao vice-presidente norte-americano sobre as posições da Casa Branca em três matérias chave, designadamente "ordem internacional, segurança e relação com a UE", Donald Tusk disse que apreciou as respostas nos três casos e comentou que "depois da conversa de hoje", é-lhe "mais fácil acreditar" que EUA e Europa prosseguirão uma boa cooperação.

Imediatamente após as declarações à imprensa na sede do Conselho, Pence atravessou a Rue de la Loi para se reunir com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, na sede do executivo comunitário, tendo ambos repetido as mesmas ideias em novas curtas declarações à imprensa antes do encontro de trabalho.

Também Juncker sublinhou que "os Estados Unidos necessitam de uma União Europeia forte e unida" e defendeu que "este não é o momento de dividir a UE e os EUA".

"Somos parceiros há muitas décadas no mundo, a estabilidade global depende muito das boas relações entre os Estados Unidos e a Europa", apontou, indicando que o encontro iria servir também para "abordar assuntos que às vezes podem dar a impressão de criar divergências".

Numa vista rodeada de grandes medidas de segurança, e que motivou algumas manifestações em Bruxelas contra a nova administração norte-americana, Pence, que de manhã já se encontrou com a Alta Representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini, ainda se deslocará à sede da NATO, para um encontro com o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, antes de regressar a Washington.