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Movimento ‘STOP eutanásia’ considera “prematura” discussão parlamentar de projeto de lei

Manifestação frente ao Parlamento onde esteve presente o antigo líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro

MIGUEL A. LOPES / LUSA

Movimento cívico contra a despenalização da eutanásia exige que antes “se aprofunde o debate e se proceda ao verdadeiro esclarecimento dos portugeses” e apela a que seja debatida no Parlamento a petição “Toda a Vida tem Dignidade”

A apresentação do anteprojeto legislativo do Bloco de Esquerda (BE) para a despenalização da eutanásia, esta quarta-feira, levou o movimento cívico 'STOP eutanásia' a sublinhar a necessidade de aprofundar o debate, reflexão e esclarecimento sobre a eutanásia na sociedade portuguesa.

“O movimento cívico 'STOP eutanásia' considera prematura a discussão em sede parlamentar de qualquer projeto de lei que venha a ser apresentado sem que se tenha esgotado um tempo amplo de debate, esclarecimento e reflexão na sociedade portuguesa”, afirmam, em comunicado enviado ao Expresso, os responsáveis do movimento cívico contra a despenalização da eutanásia.

Os responsáveis sublinham que a eutanásia e o suicídio assistido “têm sido criticados por várias associações de cuidados paliativos um pouco por toda a Europa”, que consideram que tem levado à “transformação da medicina numa profissão de cariz comercial” e ainda, como no caso do modelo suíço, à “possibilidade de estes atos serem praticados por outros que não-médicos”.

O movimento apela ainda à discussão da petição “Toda a Vida tem Dignidade”, entregue no Parlamento a 25 de janeiro, à semelhança do que sucedeu com a petição “Direito a morrer com dignidade” que foi discutida na Assembleia da República no dia 1 de fevereiro.

A petição “Toda a Vida tem Dignidade” recomenda que os cuidados continuados e paliativos sejam alargados a toda a população e que a formação dos profissionais de saúde e dos meios à disposição das unidades existentes sejam reforçados. “Julgamos importante investir na melhor resposta ao sofrimento, porque esta ainda não é uma realidade plena no nosso país”, defendem.

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