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Funchal. Homem que ateou fogo em agosto acusado de três crimes de homicídio

gregório cunha/lusa

Ministério Público pede o julgamento em “tribunal coletivo do arguido pela prática de um crime de incêndio florestal agravado e de três crimes de homicídio”

O homem de 23 anos suspeito de ter provocado o fogo em agosto nos arredores do Funchal vai ser julgado pela prática de um crime de incêndio florestal agravado e três de homicídio, soube-se esta tarde.

De acordo com a informação disponibilizada esta terça-feira na página da internet da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), o Ministério Público "requereu o julgamento em tribunal coletivo do arguido pela prática de um crime de incêndio florestal agravado e de três crimes de homicídio".

O homem é natural da Madeira e está indiciado por, a 8 de agosto do ano passado, ter ateado fogo em mato na freguesia de São Roque, nos arredores do Funchal. Este seu ato, "devido às condições atmosféricas que se faziam sentir e à continuidade arbustiva existente no local", ocasionou a propagação do fogo "em diversas direções, durante três dias, consumindo uma área florestal de aproximadamente 1928 hectares", acrescenta a informação.

A PGDL adianta que o fogo destruiu "diferentes bens - residências, instalações industriais, quintas com valor urbanístico, ambiental e histórico, vida animal e manto herbácio" e, pela primeira vez, um incêndio com origem em área florestal "propagou-se até ao centro da cidade".

"O incêndio provocou ainda a morte de três pessoas", realça a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

O homem, que tem antecedentes criminais, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) e, após interrogatório ocorrido a 10 de agosto, ficou a aguardar o desenrolar do inquérito em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional da Cancela.

O inquérito deste processo foi dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal do Funchal (DIAP), com a coadjuvação da PJ.

Em agosto, deflagrou na Madeira um incêndio florestal de grandes proporções, sobretudo nas serras sobranceiras ao Funchal, que provocaram três vítimas mortais, centenas de desalojados e mais de 300 imóveis ficaram danificados. Também dizimou 6000 hectares e os prejuízos materiais foram avaliados pelo Governo Regional em 157 milhões de euros.

Um outro homem, de 50 anos, também acusado do crime de incêndio florestal na zona do Vale Paraíso, na freguesia da Camacha, concelho de Santa Cruz, ocorrido na mesma altura, já foi julgado, na passada semana, no tribunal de Instância Central da Comarca da Madeira. A leitura da sentença está agendada para a próxima sexta-feira.

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