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Acidente mortal em Castro Laboreiro: falta de rede fixa e móvel atrasa pedido de socorro

Um agricultor morreu este domingo após um despiste de trator no lugar de Ribeiro de Baixo, em Castro Laboreiro. Sem rede fixa desde o início do mês e face à crónica deficiência da rede móvel, familiares tiveram de percorrer quatro quilómetros para pedir socorro. População reivindica fim dos portugueses de primeira e segunda

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A falta de rede fixa, desativada desde o temporal do início do mês, e a deficiente cobertura das operadoras móveis impediram que os familiares de um agricultor de 67 anos, vítima de um acidente com um trator, acionassem de imediato os meios de socorro, este domingo, no lugar de Ribeiro de Baixo, em Castro Laboreiro. Manoel Batista, presidente da Câmara de Melgaço, lamentou esta segunda-feira que a situação grave em termos de telecomunicações vivida no concelho tenha inibido um pedido de socorro atempado que “eventualmente pudesse ter ajudado a salvar uma vida”.

Ao Expresso, o autarca de Melgaço afirmou que a população local não se conforma que em pleno século XXI as telecomunicações, “um serviço público”, não cheguem a todas as pessoas, dividindo o país “em portugueses de primeira e de segunda”. Após anos de reivindicações junto das várias “operadoras móveis para a crónica deficiência da cobertura de rede de telemóveis” nos pontos mais altos e isolados do Parque Nacional Peneda-Gerês, Manoel Batista apela à ANACOM e à tutela que exerçam o seu poder de regulação junto dos operadores.

O autarca socialista afirma que a cobertura de rede num território disperso é uma questão de sobrevivência e qualidade de vida dos residentes e visitantes ocasionais fora dos núcleos urbanos dos concelhos de Melgaço, Ponte da Barca, Montalegre, Terras do Bouro e Arcos de Valdevez. Em comunicado, a Câmara de Melgaço alertou esta segunda-feira que a piorar a situação está o facto de alguns lugares de Castro Laboreiro estarem sem serviço de telefone fixo há quase duas semanas, tendo a população, bem como a Junta de Freguesia local, já apresentado queixas junto da PT - “até agora sem sucesso, o que é inadmissível”.

“É lamentável que domingo, pelo meio-dia, para se pedir socorro tivesse sido necessário ir ao cento da Vila de Castro Laboreiro, a 4 quilómetros do local mais próximo do acidente, quando uma chamada de telemóvel poderia ter sido crucial”, alerta Manoel Batista. O autarca socialista refere que, nos contactos mantidos, o Governo tem mostrado recetividade à resolução do problema, mas espera que agora, perante o desfecho fatal, o que já era uma enorme necessidade se torne uma emergência.

Para Manoel Batista, a deficiência nas telecomunicações, além de ser uma questão de justiça para as populações, é também um problema para o desenvolvimento económico e turístico na região que alberga o único parque nacional do país, classificado “Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco. “Ninguém vai querer visitar um lugar onde é quase impossível contactar alguém em caso de socorro e quem perde na atratividade turístico-comercial é não só a região como o país”, frisa o autarca.