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Uma questão de compromisso

d.r.

Um Porsche híbrido com uns quilómetros de autonomia elétrica já não é uma heresia. O jornalista Rui Pedro Reis levou o Cayenne S e-hybrid para uma viagem pelo campo. O destino foi o Alentejo, num percurso que serviu para comprovar a poupança de combustível conseguida pelo sistema elétrico e o potencial da paisagem nas planícies do interior

Rui Pedro Reis/SIC

A viagem começa em Lisboa e vai levar-me mesmo até à fronteira. Sigo pela A2 em direção a sul e, assim que apanho a A6 que me leva ao Alentejo, fujo da autoestrada e opto pela nacional. O Porsche Cayenne convida a estradas com curvas. Os primeiros quilómetros com a versão híbrida do Cayenne chegam para perceber que a autonomia elétrica serve essencialmente para a cidade e dificilmente ultrapassa os 25km. Neste caminho por entre oliveiras e vinhas, o sistema elétrico está lá como complemento e ajuda a controlar o consumo de gasolina.

O melhor de dois mundos

Que não haja dúvidas, o motor V6 chega para tornar este Cayenne num carro rápido. O acréscimo de potência do motor elétrico só torna o conjunto mais interessante. A Porsche assume que usa as soluções elétricas para melhorar a performance, mais do que reduzir consumos. Em relação a um Cayenne a gasolina, a poupança de combustível deve rondar os 15%. Nesta viagem, os consumos andaram quase sempre a rondar os 10 litros aos 100km. Mas o mais importante é que o ADN Porsche está lá sempre. O chassis e a direção combinam de forma precisa, num comportamento que convida a acelerar. A intervenção do sistema elétrico faz-se sentir. De resto sempre que se circula em modo 100% elétrico a entrada em funcionamento do motor a combustão não passa despercebida. A caixa Tiptronic S de 8 velocidades garante um funcionamento suave, exceto no modo Sport onde se torna mais dinâmica, com as passagens de a acontecerem a mais alta rotação. Ainda no capítulo da eletrónica, sistema PTM faz a gestão da tração e analisa as condições da estrada. Em estrada de terra ou em piso molhado, circula-se quase como se o piso fosse de asfalto. Ao condutor pouco ou nenhum trabalho é exigido.

Confesso que deixei quase sempre o modo Sport de lado. Pelo caminho tentei ignorar que este Cayenne faz menos de 6 segundos dos 0 aos 100km e que tem tudo para fazer uma condução onde não se olha aos consumos. A consciência ambiental implícita levou a que quase toda a viagem acontecesse em modo Comfort. De resto, o ambiente a bordo convida a isso mesmo. Luxuoso, o Cayenne garante uma viagem em total conforto, com bancos confortáveis e com bom apoio. Como seria de esperar num automóvel desta gama, os materiais são de boa qualidade e os acabamentos acompanham. Não que num automóvel que ronda os 100 mil euros isso seja importante, mas há que referir que o Cayenne é classe 2 nas portagens.

O Alentejo profundo

Esta viagem pelo Alentejo levou-me quase até Espanha. O Guadiana serve de fronteira natural. No concelho do Alandroal, a aldeia de Juromenha merece uma visita. Este povoado que hoje não terá mais de uma centena de habitantes, desempenhou um papel fundamental na defesa do território português. O Castelo de Juromenha remonta à idade média, mas é por volta de 1640 que Portugal sente a necessidade de requalificar os fortificados que serviam de bastião para travar as investidas espanholas. Dentro dos muros, ainda hoje se descobre o que resta das duas igrejas, a Matriz e a da Misericórdia. A fortaleza tinha também o Paço do Concelho e uma cadeia.

Com vista para este legado histórico e mesmo na margem do rio, as Casas de Juromenha são o convite para uns dias de relaxamento, longe da confusão da cidade. Há apenas seis casas de construção tipicamente alentejana, com lareira, onde há Wi-Fi mas onde a rede portuguesa no telemóvel é fraca ou inexistente. O pequeno almoço é servido no quarto e chega num cesto que é adornado com um lenço dos namorados. Retemperada a alma, a gastronomia alentejana é uma boa desculpa para um rápido processo de aculturação. Em Juromenha, há apenas dois restaurantes. Um deles, o Pata Larga, é ponto de paragem obrigatório. Uma pequena casa com capacidade para uma dúzia de pessoas e onde é prudente reservar mesa. A carta é composta por petiscos regionais de confeção onde predominam as tradições alentejanas. (Mais informações em Casas de Juromenha e Pata Larga).

FICHA TÉCNICA Porsche Cayenne S e-hybrid

Motor
2.995 cm3
Motor de combustão: 333 CV Motor elétrico: 95 CV Total do sistema: 416 CV
Motor de combustão: 440 Nm Motor elétrico: 310 Nm Total do sistema: 590 Nm

Transmissão
Integral
Caixa Automática Tiptronic S de 8 velocidades

Prestações
243 km/h vel. máxima
5,9s 0-100km/h

Consumos
3,4 l/100km ciclo misto
79g CO2/km

Preço: €93.561 (versão ensaiada €108.469)