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Morreu Manuela Azevedo, “a repórter mais antiga do mundo”

Foi a primeira mulher a ter carteira profissional de jornalista em Portugal. Esteve quase 60 anos ao serviço do jornalismo. Morreu esta sexta-feira aos 105 anos no Hospital de São José, em Lisboa

FOTOGRAFIA CEDIDA POR FAMILIARES

Manuela Azevedo foi a primeira mulher a ter carteira profissional de jornalista em Portugal. Aos 105 anos, e com 60 dedicados ao jornalismo, morreu esta sexta-feira no Hospital de São José, em Lisboa, onde estava internada desde terça-feira. A informação foi divulgada pelo Museu Nacional da Imprensa, que adianta que era “a repórter mais antiga do mundo”.

“Depois da morte de Clare Hollingworth, no dia 10 de janeiro deste ano, em Hong Kong, Manuela de Azevedo era a repórter mais antiga do mundo. Deixa uma obra vasta que honra o jornalismo e o mundo das letras, já que foi romancista, ensaísta, poeta e contista, tendo escrito também peças de teatro, uma delas censurada pelo regime de Salazar. Cortado pela Censura foi também um artigo que escreveu em 1935 a defender a eutanásia”, lê-se no comunicado enviado às redações pelo Museu Nacional da Imprensa.

“Ultimamente, Manuela de Azevedo estava a trabalhar num livro com cerca de 200 cartas, a maior parte delas já comentadas”, acrescenta a mesma nota.

O corpo de Manuela de Azevedo ficará em câmara-ardente na Igreja dos Anjos, em Lisboa, a partir das 15h de sábado. No dia seguinte, será celebrada missa às 12h30, seguindo-se a cerimónia de cremação no cemitério do Alto de São João.

Nascida a 31 de agosto de 1911 em Lisboa, Manuela passou a infância e juventude em Viseu, Lamego e Mangualde. Desde cedo teve contacto com o jornalismo: o seu pai também era jornalista, tendo sido diretor do “Diário da Beira Alta” e correspondente do jornal “O Século”. Já a jovem começaria a escrever para o “República” em 1935, seria chefe de redação da revista “Vida Mundial”, mas seria no “Diário de Lisboa” que faria carreira.

“Entrei no ‘Diário de Lisboa’ numa altura em que a censura abriu a torneira”, recordou ao Expresso Manuela Azevedo, em entrevista ao Expresso por altura do seu 105º aniversário.

Preferiu o jornalismo de intervenção social. Em Portugal, foi a primeira mulher a receber a carteira profissional de jornalista, tendo passado pelos períodos históricos mais relevantes do século XX.

Foram 105 anos. A 31 de agosto celebrou o aniversário e foi homenageada na sede do Sindicato dos Jornalistas. Nesse dia foi também condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem da Instrução Pública.

“Morreu pobre uma das jornalistas que mais enriqueceu o jornalismo”, sublinhou o Museu Nacional da Imprensa.