Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

BE quer MNE no Parlamento para falar de nuclear após acidente em França e manobras em Espanha

Tiago Miranda

Bloco de Esquerda requereu, esta sexta-feira, a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento, na sequência do acidente na central francesa de Flamanville e das novas manobras do Conselho de Segurança Nuclear espanhol

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

"Não temos dúvidas de que a central de Almaraz deve ser o assunto central da Cimeira Ibérica que se vai realizar este ano", afirma o bloquista Pedro Soares, sublinhando que é esta a mensagem que querem passar ao Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Augusto Santos Silva.

Foi com esse intuito que o BE apresentou esta sexta-feira um requerimento exigindo a presença do MNE com urgência no Parlamento. O Bloco está "preocupado com a desvalorização que o Governo tem dado à necessidade de fechar Almaraz", acrescenta o presidente da comissão parlamentar de Ambiente.

O incidente ocorrido quinta-feira na central nuclear de Flamanville, em França, e a confirmação de que o Conselho de Segurança Nuclear espanhol autorizou o prolongamento da central nuclear de Garoña, em Burgos, são duas das razões que levam o BE a querer pressionar ainda mais o Governo sobre a necessidade de outra atitude face a Almaraz.

O incêndio na sala das máquinas da central francesa, ocorrido quinta-feira de manhã, não resultou em fugas radioativas, segundo as autoridades locais. Porém, Pedro Soares lembra que "um incidente destes em Almaraz poderia ter outro desfecho, uma vez que não existe em Espanha o mesmo controlo de segurança que existe em França". E recorda que o que aconteceu em Fukushima se deveu ao facto de o sistema alternativo de segurança elétrica não ter arrancado na sequência de um incêndio.

Técnicos espanhóis preocupados com segurança de Garoña

Pedro Soares também está preocupado com outras notícias que vêm de Espanha. Um comunicado recente da Associação espanhola de Profissional de Técnicos de Segurança Nuclear e Proteção Nuclear a questionar a decisão do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) de autorizar o prolongamento da vida da central de Garoña até 2031. Fechada em 2012 por razões de segurança, esta central nuclear de Burgos não foi alvo "das modificações necessárias requeridas para melhorar o seu nível de segurança".

Os peritos também alertam para a intenção do CSN pretender facilitar o prolongamento da vida das centrais nucleares espanholas, alterando as próprias normas para que as licenças sejam renovadas. O regulador sugeriu ao Ministério da Energia que se desvincule dos prazos de "revisão periódica de segurança" que obrigavam a renovações não superiores a 10 anos, de modo a poder prolongar ainda mais a vida de centrais como a de Almaraz para lá dos 50 ou 60 anos.

"Isto é um risco brutal para o nosso país", sublinha Pedro Soares.