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Explosão em central nuclear francesa. “Não há risco de fuga radioativa”

BENOIT TESSIER / Reuters

A central nuclear de Flamanville, no norte de França, foi alvo de uma explosão na sala dos motores da instalação da EDF, que deixou cinco pessoas intoxicadas. Autoridades garantem que ”não há risco de fuga radioativa” e asseguram ter-se tratado de um “incidente técnico” e não de um “incidente nuclear”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Uma explosão numa zona “não nuclear” da central de Flamanville provocou esta manhã cinco feridos ligeiros entre os funcionários da instalação da EDF, avançam os meios de comunicação locais.

O incidente ocorreu pelas 9h50 locais na sala das máquinas da central nuclear, localizada na Normandia. Esta é uma das centrais nucleares da EDF, a maior produtora e distribuidora de energia em França, maioritariamente detida pelo Estado (87%). As autoridades locais garantem “não existir risco nuclear”. Equipas de emergência, incluindo bombeiros e médicos, foram enviados para o local.

Um responsável autárquico, Olivier Marmion, disse à agência AFP que “não se trata de um acidente nuclear, mas sim de um “incidente técnico significativo”, e que a segurança estava restabelecida. Um dos dois reatores parou de imediato.

Terá havido uma "disfunção" num ventilador da sala das máquinas que levou a uma explosão e consequentemente a um incêndio. Os funcionários atingidossofreram apenas intoxicações pela inalação de fumos.

Flamanville é uma aldeia localizada numa das regiões mais nuclearizadas de França. Além dos dois reatores desta central, com mais de 30 anos (um de 1985 e outro de 1986), há um reator novo em construção pela Areva. É nesta região que se encontra a única unidade de reprocessamento de resíduos nucleares (que permite fazer plutónio).

"A energia nuclear é perigosa"

Reagindo a este incidente, o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) lembra que houve um acidente semelhante em Vandellós I (Tarragona, Espanha) em 1989, que obrigou ao fecho desta central. "Começou com um incêndio na zona das turbinas e propagou-se até à zona nuclear, estando a ponto de provocar uma fuga nuclear em grande escala", recorda o físico nuclear e dirigente do MIA, Francisco Castejón.

No final de 2016, cerca de duas dezenas dos 58 reatores nucleares existentes em França foram temporariamente desativados para inspeções de segurança, por ordem da Auroridade de Segurança Nuclear francesa. Cerca de uma dezena continuam fechados.

"A energia nuclear é perigosa", sublinha Francisco Castejón, argumentando que "se estes incidentes acontecem apesar das exigências de segurança do regulador francês, maior ainda é o risco nas centrais espanholas, onde o regulador é muito mais permissivo".