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Português à distância de um clique

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Uma nova plataforma de ensino de português à distância foi lançada esta semana numa parceria entre a Porto Editora e o Instituto Camões. É o “português mais perto”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A ideia é ensinar e aprender português lá fora. A forma é que mudou. Não precisa de sair de casa, mas tem de ter um computador. Pode ser jovem, ou menos jovem e ter o português como língua materna, ou como herança, ou nem uma coisa nem outra e simplesmente querer aprender português. Com ou sem professor – tutoria, no caso. Em suma, é o “português mais perto” e sem mestre.

Em rigor, só tem de digitar um endereço na net, escolher a opção entre as várias que lhe propõem e, em função do caso de cada um, desembolsar €40 ou €90, estes últimos no caso de querer ser acompanhado por um tutor. Os currículos são normalizados e a aprendizagem é feita sob a forma de textos ou pequenos vídeos, os testes são de escolha múltipla e se fizer batota e vir as respostas antes do final não é penalizado mas aparece no final.

Se ainda por cima escolheu a opção de ser ajudado por um tutor, este também fica a saber da sua espertice.

A plataforma é, como se costuma dizer, bastante “friendly”, isto é, amigável. Tem programas direcionados desde a infância a adolescentes ou menos jovens e que querem aprender português. Foi desenvolvida pela Porto Editora, que assim respondeu a um repto que foi feito pelo Instituto Camões.

A parceria resultou e com vantagem para o Instituto. Segundo a sua presidente, Ana Paula Laborinho, é uma forma de “potenciar” a sua rede de 212 docentes, 11 coordenadores de ensino e apoio a cerca de 600 professores no mundo inteiro onde há comunidades portuguesas. A sua parte na parceria é precisamente o fornecimento de tutores, pelo qual recebem €45 dos 90 que custa o programa. É um três em um: potencia a rede sem custos e com ganhos.

“Isto não é um alternativa à escola regular, mas um serviço para manter a ligação à língua portuguesa, o objetivo não é fazer a qualificação em resultado da escolarização, mas da frequência do módulo selecionado”, afirmou na cerimónia de lançamento a presidente do Instituto.

Ou, como disse o ministro Augusto Santos Silva, “há uma enorme vantagem de escala quando se aplicam princípios da indústria 4.0, maximiza-se o alcance e minimiza-se o custo, disponibilizando-se conteúdos a custo muito baixo e competitivo”. Para o ministro, o Governo está disposto a apoiar a promoção de plataformas de ensino digital deste tipo, seja da parte de instituições públicas ou privadas.

O alvo desta nova ferramenta são as comunidades portuguesas no estrangeiro, tanto na sua vertente recente como mais antiga. Entre 2011 e 2015 saíram do país 500 mil portugueses, mas regressaram nos últimos tempos cerca de 255 mil, segundo informações prestadas pelo secretário de Estado das Comunidades José Luís Carneiro. É para este tipo de famílias, muitas com filhos em idade escolar, a chamada “mobilidade temporária”, que se dirige este tipo de ferramenta.