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Mãe que afogou filhas em Oeiras condenada a 25 anos de prisão

Tribunal de Cascais condenou esta tarde Sónia Lima pelo homicídio das duas filhas, de 19 meses e 4 anos, que morreram afogadas junto ao Forte da Giribita, em Oeiras, a 15 de fevereiro de 2016

Sónia Lima foi condenada a 25 anos de prisão, a pena máxima, pelo homicídio das duas filhas, de 19 meses e 4 anos, que morreram afogadas junto ao Forte da Giribita, em Oeiras, Lisboa, a 15 de fevereiro de 2016.

O Tribunal de Cascais considera que "a culpa da arguida é enorme" e que "dificilmente se veem decisões em que a culpa seja maior do que foi neste caso". Decisão foi tomada por um coletivo de três juízas.

Ao pai das crianças, Sónia Lima terá que pagar uma indemnização de 60 mil euros por danos nao patrimoniais. À saída do tribunal Rui Maurício, advogado de Nelson Ramos, disse que a pena máxima era o esperado. E confirmou o que havia sido dito pela juíza na leitura da sentença, que Nelson Ramos continua em sofrimento "pela perda abrupta de duas filhas".

A juíza referiu ainda que a arguida se tentou suicidar na prisão e que talvez fosse esse o objectivo no dia dos acontecimentos fatídicos uma vez que deixou no carro um papel a dizer "Pai desculpa, não consegui aguentar."

Segundo a acusação do Ministério Público, a 15 de fevereiro do ano passado, a arguida "entrou com as filhas no mar, o que fez com o propósito de lhes vir a tirar a vida" e agiu de forma "livre, deliberada e consciente". O corpo da criança de 19 meses foi encontrado no dia do desaparecimento, enquanto o da sua irmã esteve desaparecido durante sete dias, até que foi encontrado na praia de Caxias.

Na primeira audiência de julgamento, a arguida rejeitou a acusação e explicou que tinha levado as filhas para urinar nas rochas da praia.

No início do ano, o pai das crianças, assistente no processo, relatou ao coletivo de juízes o comportamento da arguida no fim da relação e disse que as próprias filhas já lhe tinham manifestado "medo" da mãe.

A separação do casal ocorreu em novembro de 2015, altura em que Sónia Lima começou, segundo Nelson Ramos, a revelar um "comportamento agressivo" e "a ser paranoica", acusando-o de ser "pedófilo" por dar beijinhos nas filhas.

Proibido de visitar as filhas por livre vontade desde a separação, segundo contou, Nelson Ramos disse ter sido ameaçado pela ex-companheira e uma amiga próxima, agente da PSP, que acreditava nas acusações da arguida. "Chamavam-me pedófilo e porco e a Sónia dizia-me: 'Só vês as meninas quando eu quiser e onde eu quiser. Se eu não quiser, nem as vês mais'. Não sei ao que ela se referia", acrescentou Nelson Ramos, sublinhando que Sónia nunca tinha dado indícios de pensar em suicídio.

Na véspera de Carnaval, na última visita que fez às filhas, Sónia "mostrou-se muito agressiva", de acordo com Nelson Ramos. "Levei umas coisas às meninas, umas máscaras, e ela deitou tudo para o lixo à frente das meninas. A mais velha disse-me, com ar muito assustado, 'pai, tenho medo'. A Sónia estava muito magra e muito pálida e a menina só dizia que tinha medo", contou.

Há cerca de um mês, as magistradas realizaram a reconstituição dos factos na praia de Giribita.