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Garoña ‘abre a porta’ a prolongamento da central nuclear de Almaraz

CESAR MANSO / AFP / Getty Images

O Conselho de Segurança Nuclear espanhol aprovou o prolongamento da vida da central nuclear de Garoña. O objetivo, avança o jornal “El País”, é “solicitar ainda este ano a renovação da licença” da central de Almaraz

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A central nuclear de Garoña, em Burgos, era a única das seis centrais espanholas fechada por razões de segurança. Parou em 2012, depois de o regulador espanhol ter detetado uma série de falhas que teriam de ser corrigidas, nomeadamente no sistema elétrico. As correções não foram feitas, mas o Conselho de Segurança Nuclear decidiu autorizar o prolongamento da sua vida até 2031.

A decisão, confirmada esta quarta-feira, pelo regulador espanhol é vista como uma forma de “abrir caminho para o prolongamento da vida das restantes centrais nucleares”, avança o jornal “El País”, indiciando que a central nuclear de Almaraz, a mais potente de Espanha e vizinha do Tejo, será a próxima a pedir o seu prolongamento para além dos 40 anos de vida.

“Garoña está a ser posta na frigideira para fazer o bife de Almaraz”, alerta metaforicamente António Eloy em declarações ao Expresso. O coordenador português do Movimento Ibérico Antinucelar (MIA) sublinha que este passo dos vizinhos espanhóis “é mais uma razão para Portugal acentuar a pressão diplomática para não permitir o prolongamento da central de Almaraz”.

O ministro português do Ambiente tem repetido a ideia de que Espanha “ainda não tem uma decisão tomada sobre o prolongamento Almaraz” e que Portugal “tem que manter uma boa relação” com os vizinhos, porque dependerá da sua vontade” fazer ou não uma avaliação de impactes ambientais transfronteiriços.

Apesar de o prolongamento de Garoña ainda ter de obter luz verde do Ministério espanhol da Energia, esta central já foi incluída no plano energético do Governo para o período 2015-2020.

Os partidos da oposição – PSOE, Podemos e Ciudadanos – que têm maioria no Congresso, já criticaram “o precedente” aberto com este aval do Conselho de Segurança Nuclear, cujo presidente foi nomeado politicamente pelo partido do Governo (PP).

Por fazer estão as obras que o regulador disse, em 2015, serem necessárias para que Garoña voltasse a abrir portas. E se estas forem exigidas de facto, os accionistas (Endesa e Iberdrola) podem não querer prosseguir com a intenção de prolongamento, tendo em conta os avultados investimentos necessários.