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Prémios Mulheres na Ciência distinguem infertilidade, malária, regeneração óssea e mobilidade

José Barradas

Quatro jovens cientistas portuguesas ganham prémio individual de 15 mil euros para desenvolver projetos de investigação inovadores naa áreas da saúde e do ambiente

Quatro jovens investigadoras portuguesas recebem hoje, terça-feira, em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento, as Medalhas de Honra L'Oréal para as Mulheres na Ciência, que são atribuídas anualmente pela Fundação L'Oréal, em parceria com a Unesco e a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O prémio, no valor de 15 mil euros, vai na sua 13ª edição e já apoiou projetos inovadores de 41 jovens cientistas portuguesas. O objetivo da iniciativa é contemplar o estudo de temas "originais" e "relevantes" para a saúde e para o ambiente. Desta vez foram distinguidas, entre 80 candidatas, Isabel Veiga (Universidade do Minho), Maria Inês Almeida (Universidade do Porto), Ana Rita Marques (Instituto Gulbenkian de Ciência) e Patrícia Baptista (Instituto Superior Técnico). As investigações premiadas dão destaque a temas como a infertilidade, a mobilidade, a regeneração óssea e a malária.

Do ponto de vista global,o prémio Mulheres da Ciência já ajudou 2750 cientistas de 115 países, com base na ideia de que "O Mundo precisa da ciência e a ciência precisa das mulheres".

Isabel Veiga, 35 anos - Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), Universidade do Minho

josé barradas

O Nobel da Medicina em 2015, entregue à terapia combinada à base de artemisinina, ajudou a reduzir a taxa de mortalidade por malária, mas de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a doença continua a atingir uma série de países e regiões tropicais. Em 2015 provocou 429 mil mortes e um dos motivos para estes números deve-se ao facto de o parasita da malária - o Plasmodium falciparum - que está a desenvolver resistência à única terapia existente atualmente. "Caso o tratamento atual comece a falhar globalmente, não existe nenhum outro pronto para o substituir", refere Isabel Veiga. Por isso, a investigadora pretende antecipar em que medida o tratamento com base na artemisinina será mais eficaz e aumentar o seu efeito, e ainda estudar, através da criação em laboratório, de versões geneticamente modificadas do parasita que possam abrir portas a novos fármacos e tratamentos. "Sabemos que as proteínas transportadoras de membrana do parasita conseguem levar os fármacos para o exterior da célula onde deveriam atuar, escapando assim à sua ação", explica a investigadora.

Maria Inês Almeida, 33 anos - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto

josé barradas

A pesquisa de Maria Inês Almeida incide sobre a possibilidade das moléculas de ARN-não codificante (qualquer molécula de ARN que não é traduzida em proteína) serem capazes de "instruir" as células a regenerar tecidos. O ARN ou ácido ribonucleico é o responsável pela síntese de proteínas da célula. A ideia será explorar a função dos microARN (pequenos ARN) como mediadores da regeneração do osso e, utilizar o RNA-não codificante para regular a atividade das células, estimulando a construção de novo osso, de forma natural. Segundo Maria Inês Almeida, a utilização de microARN é vantajosa, na medida em que um único é capaz de afetar vários processos biológicos simultaneamente. A investigadora espera abrir novos caminhos na reparação de grandes defeitos e fraturas ósseas e, no futuro, ajudar a travar doenças como a osteoporose, e também em áreas como a medicina dentária ou oncologia, em que a regeneração óssea é fundamental.

Ana Rita Marques, 36 anos - Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC)

Jose Barradas

Os centríolos são estruturas minúsculas que estão presentes sempre que um óvulo é fertilizado. A equipa de Ana Rita Marques já conseguiu demonstrar que existe um revestimento em torno dos centríolos que protege e regula a estabilidade dos óvulos. "Agora é essencial compreender quais são os fatores responsáveis pela presença deste escudo protetor e qual o seu papel na regulação da estabilidade dos centríolos", explica a investigadora. Ana Rita Marques propõe, no projeto agora premiado, desenvolver o estudo aprofundado deste fenómeno, uma vez que compreender como a presença ou ausência deste escudo é regulada pode trazer novas conclusões na "área da infetilidade feminina, mas também da regeneração de tecidos, das doenças relacionadas com malformações embrionárias e do cancro".

Patrícia Baptista, 33 anos - Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento, Instituto Superior Técnico

José Barradas

Hoje em dia a ciência já permite saber antecipadamente, quando definimos uma viagem, quais os trajectos mais curtos ou mais económicos. Patrícia Baptista pretende dar a conhecer outras informações relevantes, que devem ser tidas em conta, do ponto de vista individual. " O objetivo deste projeto é a melhoria da mobilidade urbana, tendo em consideração o tempo de viagem, o esforço físico a despender, a inalação de poluentes locais, o consumo de energia, as emissões geradas e vários outros indicadores que se tornam mais relevantes para as pessoas com maiores dificuldades de mobilidade", afirma a investigadora. Num país em que existe crescente urbanização e envelhecimento da população, é particularmente importante que cada viajante saiba qual é o trajeto mais curto, económico, seguro, menos poluente e nocivo para a saúde.