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Metro do Porto avança 12 anos depois

O ministro do Ambiente João Matos Fernandes e o autarc a do Porto Rui Moreira, esta manhã duranta a conferência de imprensa onde foi anunciada a extensão do Metro do Porto

ESTELA SILVA / Lusa

Ministro do Ambiente anunciou o nascimento de uma nova linha rosa no mapa do metropolitano do Porto e a esperada extensão da linha amarela, entre Santo Ovídio e a densamente povoada Vila D' Este. Um dia “histórico” para os autarcas de Porto e de Gaia, um dia “feliz” para o Governo socialista

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O ministro do Ambiente João Matos Fernandes anunciou esta terça-feira, na sede da Metro do Porto, a criação de raiz de uma nova linha urbana de metropolitano na cidade e o prolongamento da linha amarela até Vila D' Este, em Vila Nova de Gaia. Obras que custarão no total 290 milhões de euros, de um envelope de 500 milhões para o alargamento das redes de metro no Grande Porto e em Lisboa (ligação Cais do Sodré ao Rato).

Ao todo, foram objeto de estudo, coordenado Paulo Pinho da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, nove linhas alternativas, tendo recaído a escolha sobre as duas com maior projeção de procura e sustentabilidade económica, critério definido pela empresa como fator essencial na expansão. da rede. O estudo aponta para um acréscimo global de 12 milhões de clientes por ano, a somar aos atuais 58 milhões.

A futura linha rosa fará a ligação entre as estações da Casa da Música, no coração da Boavista, e São Bento II, na Praça da Liberdade, em plena Baixa, aliviando, segundo a empresa Metro do Porto, o troço comum da linha amarela e permitindo numa futura fase de expansão a concretização da linha circular.

A nova linha, criada de raiz, terá 2,746 quilómetros de percurso em via dupla, integralmente feita em túnel mineiro, ao longo de quatro novas estações subterrâneas: Casa da Música, Galiza, Hospital de Santo António, com paragem junto ao jardim do Carregal, e S. Bento II, estação que terá uma ligação em túnel pedonal à já existente estação com o mesmo nome.

Apesar de não ser a há muito esperada Linha do Campo Alegre, que ligaria São. Bento a Matosinhos Sul, que foi alvo de estudo prévio mas acabou preterida face à equação benefício/custo, Rui Moreira congratulou o Governo e António Costa pela viabilização do projeto que custará 181 milhões de euros e que vem descongestionar duas zonas nevrálgicas da cidade, como a Galiza e o eixo junto ao Hospital de Santo António/Clérigos.

A previsão da procura na linha rosa é de mais 27.775 passageiros/dia, sendo a taxa de cobertura estratégica de 100%. O presidente da Câmara do Porto Rui Moreira lembrou que já não se constroem novas linhas na cidade desde 2005, elogiando a forma determinada como soube “encontrar recursos económicos” para alavancar o investimento na rede de transportes urbanos.

“Esta linha não esgota a nossa ambição para a cidade, mas António Costa, um ex-autarca, teve a coragem de inverter a lógica de estagnação no Metro de Lisboa e do Porto”, afirmou Rui Moreira, sublinhando que o investimento será superior no Porto (290 milhões de euros) do que na capital (210 milhões).

O autarca independente anunciou ainda que, na próxima sexta-feira, será apresentada a proposta do Terminal Intermodal de Campanhã, um investimento “esperado há 14 anos”, que irá permitir a interligação do comboio, metro e autocarros.

Anunciado esta terça-feira foi ainda o reclamado prolongamento de 3,2 quilómetros da linha amarela, entre a estação de Santo Ovídio e o populoso bairro social de Vila D'Este, em Vila Nova de Gaia, com cerca de 16 mil habitantes, extensão que contempla ainda estações em Manuel Leão (subterrânea) e Hospital de Santos Silva, a maior instituição de saúde de Vila Nova de Gaia e que está a ser requalificada.

O investimento no crescimento da linha amarela é de 106 milhões de euros, e a projeção do estudo de sustentabilidade estima 5500 novos clientes/dia na movimentada linha de metro da Área Metropolitana do Porto, com mais de 30 mil passageiros diários. O traçado inicial prevê a construção de um viaduto de 0.6 quilómetros sobre a A1 e a EN1, e um túnel de 0,8 quilómetros no centro de Gaia.

“Fim da retórica do anterior Governo”

Para Eduardo Vítor Rodrigues, líder da Câmara de Gaia, este dia 7 de fevereiro é um dia histórico para a região, ao permitir melhorar as condições de vida das pessoas, contribuindo para o desenvolvimento e coesão territorial de um concelho com 300 mil habitantes. O autarca socialista garantiu ainda que estes projetos vêm desmascarar a retórica “suportada na ausência de recursos financeiros do anterior Governo e que levou o país à degradação do investimento público para níveis insustentáveis”, levando à perda de competitividade da economia regional e nacionalverno. “O investimento quando é inteligente não faz perigar a saúde financeira do país ou das instituições”, rematou Eduardo Vítor Rodrigues.

Segundo avançou o presidente do conselho de administração da Metro do Porto, Jorge Delgado, os concursos para o avanço dos projetos deverá estar concluído em junho próximo, enquanto os concursos para a construção têm como prazo maio de 2018. A adjudicação das obras é apontada para dezembro do próximo ano e as novas linhas estarão em andamento em 2021.

O ministro do Ambiente avançou ainda que serão efetuados estudos técnicos para a futura expansão da rede da Metro do Porto, estando incluídas na terceira fase uma ligação ao centro de Gondomar, com passagens pelo estádio do Dragão e Contumil, uma linha para o polo universitário da Asprela e outra que ligará a casa da Música até às Devesas, em Gaia, que obrigará à contrução de um nova ponte sobre o Douro. João Matos Fernandes frisou, no entanto, que estes investimentos não serão financiados no atual Quadro de Apoio Comunitário (204-2020), mas num futuro pacote de financiamento europeu.

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