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Alunos de duas escolas de Viseu renovadas pela Parque Escolar levam mantas para resistir ao frio

Além da falta de aquecimento em algumas salas, somam-se outros problemas como os frequentes cortes de energia e o descontrolo dos sistemas informáticos

Na Escola Emídio Navarro e Básica e Secundária de Oliveira de Frades, em Viseu, os alunos e professores têm de levar mantas devido à falta de aquecimento. Os dois estabelecimentos de ensino foram há alguns anos alvo de intervenções por parte da Parque Escolar, mas existem problemas que continuam sem ser resolvidos, conta o “Jornal do Centro”.

“Precisamos de levar cobertores. Isto é inconcebível! Cada um traz o seu cobertor, casaco ou manta para aguentar o frio. Em aulas de desenho é impensável trabalhar-se de casaco vestido e manta, mas aqui acontece. É preciso alguém pôr um ponto final nisto”, afirma ao Expresso José Rosa, diretor da Escola Emídio Navarro.

De acordo com o docente, a falta de aquecimento é um problema transversal desde a implementação das obras em 2009/2010 pela Parque Escolar – que custaram milhões de euros –, mas que a empresa pública “teima em não ver resolvido”. “Aqui em cima, no norte e centro, faz mais frio, na região sul pode haver problemas com o aquecimento, mas com as temperaturas ambiente a rondar os 2/3 graus nesta região torna-se mais difícil”, sublinha José Rosa.

Além da falta de aquecimento em algumas salas, somam-se outros problemas como os frequentes cortes de energia e o descontrolo dos sistemas informáticos. Durante este tempo, a única resposta que a escola teve foram 10 aquecedores, o que na opinião do diretor está longe de ser a solução. “Estamos a investir duas vezes – gastamos com o aquecimento geral e com mais os aquecedores nas salas. E isso leva a um terceiro problema, os quadros elétricos vão abaixo e os computadores 'queixam-se': dão sucessivos erros e avariam”, acrescenta.

Assegurar refeições ou aquecimento?

O refeitório e o bar da escola Emídio Navarro escapam aos problemas, uma vez que estão situados num bloco onde estão instaladas as oficinas de eletricidade e de mecânica, onde é superior a potência dos quadros elétricos. O mesmo não se passa na Escola Básica e Secundária de Oliveira de Frades, onde a direção teve de optar no 1º período pela confeção das refeições dos alunos em vez de aquecer as salas de aula, uma vez que o “gás não iria chegar para tudo”. “Não nos pareceu que alunos quentes e com as barrigas vazias fosse a melhor solução”, diz Jorgina Rolo, diretora da escola, ao “Jornal do Centro.”

Contactado pelo Expresso, José Pinto, do conselho executivo da Escola Básica e Secundária de Oliveira de Frades, confirmou que a escola tem problemas de climatização e que a Parque Escolar se comprometeu a resolver assim que possível a situação.

José Rosa explicou que em março do ano passado, na reunião do conselho geral, a direção da escola e a Associação de Pais voltaram a reportar esta situação à Parque Escolar, mas a resposta foi muito pontual. “Não há garantia, nem prazos. A Parque Escolar diz que estão a tentar resolver o problema e que em breve será resolvido mas não sabem dizer quando.”

Num comunicado enviado ao “Jornal do Centro”, a empresa pública disse entretanto esperar que as situações nas duas escolas estejam resolvidas no início deste mês.