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“Almaraz terá mesmo de fechar" exige movimento antinuclear em conferência internacional em Lisboa

CENTRAL. A central nuclear de Almaraz, está localizada junto ao Tejo. A água deste rio ibérico serve para refrigerar os seus dois reatores, em funcionamento desde 1981 e 1983

Tiago Miranda

Ativistas e políticos nacionais, espanhóis e franceses participam, este sábado, na primeira conferência internacional organizada pelo Movimento Ibérico Antinuclear, em Lisboa, sob o lema “Fechar Almaraz"

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

O futuro da central nuclear de Almaraz e os riscos de segurança que representa o prolongamento da vida dos seus dois reatores por mais 10 ou 20 anos são o tema da conferência internacional que terá lugar, este sábado, no edifício da Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa.

Organizada pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), a conferência conta com a participação do seu coordenador, o fisíco nuclear espanhol Francisco Castejón, que falará sobre o estado da energia nuclear na Península Ibérica e em particular sobre os riscos de segurança da central localizada junto ao rio Tejo, a 100 quilómetros da fronteira portuguesas.

“Almaraz terá mesmo de fechar”, sublinha o coordenador português do MIA, António Eloy, que espera que “Espanha abandone uma energia esgotada e com imensos riscos e aposte em novas tecnologias, com base em argumentos sociais, ambientais e económicos”. Cáustico, o ativista recorda que as centrais nucleares são “um negócio de milhões que tem estado a ser discutido em ritmo de roleta russa”.

O estado da energia nuclear em França será o tema abordado de seguida pelo economista francês Henri Baguenier. O antigo professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, de Lisboa, e atual chairman do fundo de investimentos em energias renováveis Novenergia, explicará o que está a acontecer com as centrais nucleares em França e dissertará sobre como “a economia é a principal razão para não se apostar na energia nuclear”.

Segundo Baguenier, "Espanha tem reservas e capacidade de produção de eletricidade através das centrais de ciclo combinado que são muito mais baratas de utilizar do que as centrais nucleares". O também ativista antinuclear sustenta que “para atingir os objetivos definidos para combater as alterações climáticas até 2050, a União Europeia devia apostar em renováveis e na capacidade de back up com as centrais de ciclo combinado que permitem uma resposta muito rápida”.

O debate começa às 10h da manhã, com uma intervenção de Helena Roseta, na qualidade de presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e militante anti-nuclear há décadas. E decorrerá até às 18h00, contando com a participação de elementos de associações ambientalistas como a Quercus, a Zero e os Ecologistas in Acción, assim como de partidos políticos, nomeadamente do BE e do PAN.

Entre os conferencistas conta-se também Pedro Soares, o bloquista que preside à Comissão de Ambiente da Assembleia da República, que explicará as diligências feitas pelo Parlamento em relação a Almaraz, que já manifestou oposição unânime perante a construção do aterro de resíduos nucleares e o prolongamento da vida desta central. Pedro Soares também falará sobre como as comissões parlamentares de Ambiente de Portugal e Espanha acordaram “articular-se para ultrapassar o bloqueio” entre os Governos dos dois países.

À conferência segue-se nova manifestação pelo “Fecho de Almaraz” junto ao Consulado de Espanha, na Avenida da Liberdade em Lisboa.