Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Arquivado caso do fogo no festival Andanças

EDGAR LIBÉRIO/LUSA

Ministério Público diz não ter sido possível apurar indícios que permitissem concluir que o fogo tivesse sido ateado de forma deliberada ou intencional. Arderam mais de 400 carros, no último verão, num incêndio no parque de estacionamento do festival alentejano

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Mais de 400 carros arderam no último verão num incêndio no parque de estacionamento do festival Andanças, em Castelo de Vide. O caso foi investigado pela Polícia Judiciária e pela GNR e agora arquivado.

De acordo com uma nota da Procuradoria da Comarca de Portalegre, o incêndio ocorreu numa zona que estava a ser utilizada para estacionamento de veículos, tendo ardido quase dois hectares [equivalente a dois campos de futebol] de mato e tendo sido registados estragos em 458 veículos. "Concluída a investigação, o Ministério Público proferiu despacho de arquivamento".

A nota acrescenta que depois de realizadas todas as diligências, "não foi possível apurar quaisquer indícios que permitissem concluir que o fogo tivesse sido ateado de forma deliberada ou intencional". E também "não foi possível recolher indícios que permitissem apurar as circunstâncias concretas em que o mesmo ocorreu nem a eventual responsabilidade negligente de alguém".

Os procuradores revelaram algumas das conclusões do caso. Entre eles que o fogo teve início no interior do parque de estacionamento e na proximidade de três viaturas que ali se encontravam estacionadas, "excluindo-se que o mesmo se tivesse ficado a dever a qualquer causa eléctrica e/ou mecânica desses veículos".

Ainda de acordo com a Procuradoria de Portalegre, a realização do festival estava devidamente autorizada e o plano de segurança tinha sido devidamente elaborado, contemplando o risco de incêndios. "A preparação do terreno utilizado como estacionamento, foi feita nos termos habituais, não existindo regulamentação específica para este tipo de situações ou eventos".

Num primeiro levantamento dos danos sofridos, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) estimou que só um quarto dos veículos destruídos tinha seguro de danos próprios com a inclusão da cobertura de incêndio.

A associação PédeXumbo, organizadora do festival, garantiu na altura que a apólice do seguro de responsabilidade civil contratualizada pela organização do evento só cobre danos até 100 mil euros. Mas os estragos podem atingir os três milhões de euros. Algumas pessoas podem vir a avançar com uma queixa na Justiça, se parte da indemnização não for assumida pelas seguradoras.