Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Hospitais à espera de antibióticos

David Clifford

Fórmulas injetáveis não estão a ser fornecidas pelos fabricantes. O Infarmed afirma que há “problemas na produção” e já pediu às unidades de saúde que “gerissem com atenção estes medicamentos e as suas alternativas para evitar a rutura de antibióticos”

Dois dos antibióticos mais utilizados, por exemplo muito úteis no combate às infeções respiratórias e em particular às pneumonias, não estão a ser fornecidos a vários hospitais. Na maior unidade de Lisboa, o Santa Maria, os médicos foram alertados para o risco de rutura de stock na semana passada.

Ao Expresso, a autoridade do medicamento afirma que a situação "deve-se a problemas na produção destes medicamentos que levam a dificuldades no normal abastecimento do mercado". Concretamente, "em consequência do número cada vez mais limitado de fabricantes daquelas substâncias ativas e de perturbações de fabrico relacionadas com dificuldades de acesso à matéria prima".

Sete pedidos SOS

Em falta estão a azitromicina e a amoxicilina com ácido clavulânico em fórmula injetável. O Infarmed já recomendou, no dia 20 de janeiro, aos hospitais que "gerissem com atenção estes medicamentos e as suas alternativas para evitar a rutura de antibióticos". Ainda assim, salienta que há antibióticos "similares na União Europeia" e que "os hospitais poderão recorrer ao mecanismo de autorização de utilização excecional (AUE)" para importarem estes medicamentos. O preço será, contudo, mais elevado. Até ao momento, foram registados sete pedidos de AUE.

O Infarmed admite que o problema esteja ultrapassado até à segunda semana de fevereiro. Os critérios de utilização destes antibióticos devem ser cumpridos à risca. Na nota enviada às equipas pela Comissão de Farmácia e Terapêutica do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (que reúne o Santa Maria e o Pulido Valente) é recomendada a "utilização de outros antibióticos injetáveis sobreponíveis ou de acordo com os respetivos antibiograma (exame para identificar a bactéria na origem da infeção), a utilização de formulações por via oral ou a realização de switch (mudança) da via intravenosa para a via oral logo que possível".