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Sociedade

Três anos no hospital por não terem para onde ir

Jose Carlos Carvalho

Doentes estiveram internados no Amadora-Sintra à espera de alta social. Unidade optou por pagar camas em privados para transferir os utentes

É uma realidade comum, sobretudo na região de Lisboa: manter pessoas hospitalizadas só porque não há outro lugar para onde possam ir. A escassez de vagas em lares, sobretudo apoiados pelo Estado, e a indisponibilidade das famílias dita a falta de alternativas. O Hospital Amadora-Sintra reúne o maior número de doentes internados à espera de alta social, alguns durante dois a três anos.

Os utentes com condições sociais muito graves que são mantidos no hospital mesmo sem necessidade clínica têm idades entre os 75 e os 80 anos. Por dia, chegam a ser 60 a 70 a darem entrada no Amadora-Sintra. Com números desta dimensão, a administração foi obrigada a encontrar uma resposta adequada, ou seja, mais económica e mais segura, pois longos internamentos aumentam, por exemplo, o risco de infeções hospitalares potencialmente fatais. A solução foi pagar camas no exterior.

Em entrevista ao "Público" desta segunda-feira, o presidente do Hospital Fernando da Fonseca, vulgo Amadora-Sintra, conta que há três meses que os doentes com alta clínica mas sem alta social são encaminhados para a rede privada. "Nos últimos três, isso foi completamente arrumado. Neste momento, somos o único hospital dos quatros grandes de Lisboa que tem camas no exterior. Temos 58 camas em unidades privadas em que estão doentes nossos, alguns sem condições de irem para casa, outros que aguardam vagas nos cuidados continuados", explica Francisco Velez Roxo.

Atualmente, "temos 28 doentes que deviam ter resposta de lar ou da família e que não têm", diz o administrador. "São os idosos que não têm quem cuide deles e que não podem viver sozinhos. Tivemos em 2016 cinco doentes que estiveram o ano inteiro nestas camas e dois doentes que vêm desde 2012. Estão num lar em Vimeiro pago por nós. Em 2016, saíram daqui do hospital os casos não clínicos mais antigos. Estavam havia dois e três anos aqui dentro", conta ao matutino Francisco Velez Roxo.

Pagar camas na rede privada é um fatura elevada para o hospital, mas que acaba por ser um mal menor. "Queremos os doentes bem tratados e temos acordos com privados para onde os doentes são derivados, o que é um grande custo para o hospital. No ano passado, só pelos casos sociais e pessoas ainda sem vaga na rede de cuidados continuados, pagámos 1,5 milhões de euros", revela. E acrescenta: "Os grandes hospitais abrem mais camas e nós não conseguimos."