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Outro campeonato

O segmento dos familiares compactos está cheio de nomes de peso, como o Opel Astra, o Volkswagen Golf ou o Renault Megane. Por isso, a ambição da Hyundai é grande ao querer ombrear com as principais referências. Os argumentos estão lá todos, com conforto e uma gama de motores atraente. O jornalista Rui Pedro Reis foi conhecer o i30 em primeira mão e conta como é o carro que a marca coreana quer que seja para todos

RUI PEDRO REIS/SIC EM MARBELLA, ESPANHA

A Hyundai não esconde que a aposta no i30 tem como alvo a Europa. Por isso faz questão de sublinhar que o i30 é desenhado e concebido em solo europeu. Para começar, a ideia base da Hyundai foi criar um automóvel acessível mas sem fazer concessões tanto a nível de segurança, como de conforto e equipamento. O primeiro grande trunfo está na gama de motores. A começar pelo três cilindros 1.0 a gasolina. Debita 120cv e tem tudo para ser um sucesso. Em Portugal, o importador acredita que as vendas vão estar divididas entre esta proposta e o diesel. Há ainda muitos clientes que não beneficiam nada com um motor a gasóleo mas resistem a optar pela oferta a gasolina. A estrada montanhosa que me leva até Marbella tem neve acumulada na berma, o que contrasta com o cenário de praia que se avista ao longe. Num traçado sinuoso e com subidas pronunciadas, o motor 1.0 mostra-se mais limitado que o 1.4 140cv. É normal que assim seja, mas os consumos também são mais contidos. Numa viagem que teve um pouco de tudo e com bastante autoestrada, o consumo médio esteve ligeiramente acima dos 6 litros. A qualidade de construção fica bem evidente aos primeiros quilómetros.

Maturidade assumida

O novo Hyundai i30 não é um carro de fazer virar cabeças. Passa despercebido, o que para muitos condutores é um argumento de compra. Pode não fazer inveja lá no bairro, mas quem o utiliza sabe o que tem nas mãos. Visto por fora, o i30 tem na traseira os traços que mais o distinguem. A grelha frontal inaugura a nova imagem da marca, que vai ser aplicada na restante gama. O resto é discreto, numa imagem que remete para uma identidade que anda próxima do Volkswagen Golf. Por dentro, destaque para um maior cuidado com a escolha de materiais. A imagem é sóbria e elegante, com menos botões e um visual de casa mais arrumada. Como é cada vez mais frequente, o i30 incorpora no ecrã da consola central, os sistemas Apple CarPlay e Android Auto de conectividade. O processador consegue ser 30% mais rápido que o da geração anterior. O ar condicionado fica mais abaixo, na consola central. A habitabilidade é boa, com bancos confortáveis. Atrás, a bagageira oferece 395 litros de capacidade. O menu tecnológico é completo, com destaque para Cruise Control inteligente, travagem de emergência autónoma, monitorização de cansaço, deteção de ângulo morto, informação do limite de velocidade, máximos automáticos e manutenção da faixa de rodagem. A Hyundai alega que é o i30 passa a ser a referência do segmento em equipamento de segurança de serie.

O princípio da mudança

A aposta nos motores a gasolina é uma tendência geral. O mercado português ainda resiste e continua a ser clara a preferência por motorizações a gasóleo. Como se percebe no início deste texto, o ensaio que fiz ao i30 focou-se nos novos motores a gasolina 1.0 T-GDI e 1.4 T-GDI. Para os mais conservadores existe ainda a poção diesel, que se mantém com uma única proposta, o 1.6 CRDi, com 136cv. Novidade bem vinda é a nova caixa automática DCT de 7 velocidades (opcional por 1500€), disponível nos motores 1.6 CRDI e 1.4T-GDI.

A Hyundai fez bem o trabalho de casa. Aumentou a rigidez da carroçaria e reduziu o peso do conjunto. Neste exercício de emagrecimento, conta muito a escolha de materiais. O construtor coreano é único em todo o mundo a produzir o próprio aço. Depois há detalhes importantes, como a suspensão traseira multilink que contribui para melhorar o comportamento do automóvel. A direção melhorou mas parece ainda a área em que a Hyundai tem um caminho a percorrer, porque é menos informativa do que seria desejável. Mas tudo o resto é um passo em frente. Falta referir valores. A Hyundai ainda não tem preços finais, mas o 1.0 T-GDI deve ficar abaixo dos €21 mil.

FICHA TÉCNICA Hyundai i30 1.0 T-GDi

MOTOR
998cc
120cv
171nm às 1500 r.p.m. - 4000 r.p.m.

TRANSMISSÃO
Dianteira
Caixa Manual 6 velocidades

PRESTAÇÕES
190 km/h km/H vel. máxima
11,1 0-100km/h

CONSUMOS
5,0L/100km ciclo misto
115g CO2/km

Preço: €20.950 (preço estimado)