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Os prazeres do après-ski

Cultura RM Exclusive/Alan Graf

Ao fim de um dia na neve, é tempo de descansar. Descontração, conforto ou festa aguardam os praticantes de esqui com propostas indulgentes

O mundo do esqui tem dois tipos de aficionados: os doidos por neve fresca, powder, pistas de todas as cores e dificuldades a perder de vista, zonas off-piste, que são os primeiros a chegar de manhã, quando os meios mecânicos começam a funcionar, e que esquiam até deixarem de sentir as pernas; e os apaixonados do après-ski, as atividades para depois de esquiar. Este é um mundo que começa quando o esqui acaba. E inclui, normalmente, lareira, chocolate quente, gluhwein (vinho quente), petiscos apetitosos, música e tempo para fechar os olhos e sorrir.
Há versões de après-ski com flûtes de champanhe e também com sauna ou piscina aquecida. E outras mais ‘duras’, que entram pela noite dentro, com bebidas em crescendo e sem preocupações de horas para acordar no dia seguinte. O après-ski é um tempo de conforto e descontração.

Com uma chávena de vinho quente fumegante na mão, a exalar aromas a cravinho e canela, e uma gaufre ou um crèpe no prato, não é difícil ficar fã do après-ski. Afinal, ali não há frio — aliás, muitas vezes, há fogueiras exteriores a crepitar, à volta das quais os esquiadores se juntam e partilham os momentos altos do dia. As especialidades para petiscar variam em função da estância e do país escolhidos. Serão pinchos e tapas em Espanha; fondues, tartiflettes e raclettes (propostas quase sempre em torno do queijo) nas regiões alpinas francófonas; apfelstrudel (tarte de maçã), wiener schnitzel (escalope panado), ou noodles da Caríntia na Áustria, com direito a um cálice de schnapps, a aguardente local, à sobremesa (cujo equivalente italiano é a grappa). Por falar em Itália, país sobejamente conhecido pelas suas delícias gastronómicas, uma especialidade alpina que não deve dispensar aqui é a polenta. Na Suíça, pode deliciar-se à volta de um rosti, o prato camponês de comfort food, uma espécie de tortilha de batata envolvida em ovo, e adoçar a boca com uma fatia de Engadiner nüsstorte, uma tarte de avelãs e mel típica da região de Engadin. Assim, tem a certeza de repor os níveis calóricos necessários para esquiar em força no dia seguinte.

Sugestões de bem bom

Há quem prefira um après-ski mais romântico, quem não dispense um copo depois do esforço e quem não se satisfaça sem festa rija noite dentro. Para estes, deixamos alguns conselhos concretos de locais onde um bom après-ski é garantido.

Quem costuma rumar a Espanha e quer sofisticação tem o Clicquot Nevada Terrace, na Sierra Nevada, uma champanheria a meio da descida das pistas, com música ao vivo, flûtes de Veuve Clicquot e uma ementa simpática que serve desde batatas bravas e hambúrgueres gourmet a panquecas.

Mais longe, nos Pirenéus de Baqueira-Beret, o Moet Winter Lounge apresenta um conceito semelhante, com a diferença da marca de champanhe. A 1850 metros de altitude, este acolhedor chalet de madeira serve bebidas e delicatessen, tem música ao vivo e muitos puffs espalhados, onde se pode relaxar à vontade.

Na mesma onda de exclusividade, o Refugi San Miguel, na zona de Bonaigua (em Baqueira-Beret), é um espaço moderno e luminoso, com uma grande chaminé, e apresenta uma carta de tapas concebida pelos chefes Dani Garcia e Paco Roncero, cozinheiros com estrela Michelin. Vir aqui ‘tapear’ pode sair caro, mas será uma experiência inesquecível.

Para os bolsos dos comuns mortais, o N’Ice, na Serra Nevada, é uma boa opção para quem quer trincar comida simpática, beber uma cerveja e ouvir música ao vivo.

Para quem procura uma movida mais agitada, há três ou quatro clássicos de après-ski, por entre a imensa oferta de resorts em toda a Europa. O La Folie Douce, em Val Thorens, França, é muito conhecido pelo seu espaço ao ar livre, a animação — tem DJ e música ao vivo — e, entre as 15h e as 17h, pelo duche de champanhe que pode apanhar enquanto dança em cima das mesas. Desde 1980 que este é um local de dança, animação e boa comida.

Em Val d’Isère, também em França, o Dick’s Tea Bar serve cerveja barata até às 4h da manhã.

Os apreciadores desta bebida têm outro clássico obrigatório em St. Anton, na Áustria. Ao balcão, bebe-se Fohrenburg, a cerveja tradicional — e muita, se acreditarmos quando dizem que é o bar da Áustria que mais cerveja vende. A música ao vivo e os shots de Jagermeister, um forte digestivo alemão com 35 graus de volume de álcool, também contribuem para o sucesso, só que a festa acaba às 20h.

Já no Bar Roma, em Courmayeur, Itália, não há hora para fechar. As paredes de pedra, o teto de madeira e os sofás antigos criam o ambiente cosy que se procura num après-ski. Depois, basta saber em que medida quer o quê de cada coisa. E se amanhã é dia de acordar cedo ou não para ir esquiar...