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Sociedade

70% dos peões atropelados usavam roupa escura

António Pedro Ferreira

Em média ocorrem cinco atropelamentos por dia em Portugal. A fraca visibilidade é o principal motivo

“Dos estudos que temos acerca desta situação dos atropelamentos, prendem-se sobretudo com a visibilidade. De um estudo que foi feito em 2005, concluímos que 70% dos peões que foram atropelados usavam roupa escura e sobretudo quando não existia muita luz, portanto, de noite”, sustentou o chefe da divisão de criminalística da Guarda Nacional Republicana (GNR), Pereira Leal.

A GNR registou entre 2015 e 2016, em Portugal continental, 3.618 atropelamentos de peões, uma média de cinco atropelamentos por dia, segundo dados facultados esta sexta-feira à agência Lusa.

Na área de atuação da GNR nos 18 distritos de norte a sul do país verificaram-se 1.696 atropelamentos de peões em 2015, enquanto em 2016 houve um aumento de 226 destes acidentes face ao ano anterior, para os 1.922 atropelamentos de peões.

Os dados disponibilizados pelo Comando-Geral da GNR indicam que, dos 3.618 atropelamentos registados nestes dois anos, 119 envolveram vítimas mortais.

Em 2016 ocorreram 61 episódios de atropelamentos com vítimas mortais, mais três face a 2015, ano em que foram registados 58.

De acordo com esta força de segurança, em 2015 registaram-se oito atropelamentos com fuga do condutor, sem que houvesse detidos ou os autores fossem identificados, enquanto em 2016 baixou para quatro o número deste tipo de situações.

Em 2015 a GNR registou cinco atropelamentos a peões com fuga mas em que o condutor foi detido ou identificado posteriormente, sendo que em 2016 houve nove destas ocorrências.

De acordo com dados ainda provisórios, a GNR fiscalizou 1.411.421 condutores em 2016, ano em que registaram 75.494 acidentes rodoviários, 391 mortos, 1.517 feridos graves e 23.636 feridos ligeiros.

No ano anterior realizaram-se 1.440.764 fiscalizações a condutores, 73.004 acidentes, 407 vítimas mortais, 1.633 feridos com gravidade e 23.670 feridos ligeiros.

Em 2014, os militares da GNR fiscalizaram 1.190.598 condutores e registaram 70.786 acidentes, dos quais resultaram 418 mortos, 1.531 feridos graves e 22.960 feridos ligeiros.

A GNR considera que os atropelamentos de peões têm um impacto significativo na sinistralidade rodoviária e que os atropelamentos seguidos de fuga do condutor têm uma incidência elevada.

“Os atropelamentos, em termos de sinistralidade rodoviária, têm um impacto significativo. A situação relacionada com fugas em caso de acidente tem uma incidência também bastante elevada. Em todo o caso, na sequência da investigação dos acidentes, quando ocorrem vítimas mortais, em 2015, foram identificados cinco dos condutores que provocaram o acidente e fugiram. Em 2016 foram identificados nove [destes condutores]”, explicou o chefe da divisão de criminalística da GNR.

Em declarações à Lusa, Pereira Leal sublinhou, em relação às situações em que os condutores fogem do local do acidente e não são identificados, que acabam por cometer dois crimes: atropelamento e omissão de auxílio.

Em 2015 a GNR registou oito destes casos e em 2016 metade destes episódios.