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Sociedade

Freguesias de Lisboa sem meios para fazer face aos maiores problemas da população

Alberto Frias

Os problemas dos idosos, o desemprego e as necessidades de apoio para a saúde mental surgem como os principais problemas sociais

As Juntas de Freguesia de Lisboa apontam como principais problemas sociais a população idosa e o envelhecimento, o desemprego e a saúde mental, áreas para as quais reconhecem não ter respostas, segundo um diagnóstico divulgado esta quinta-feira.

De acordo com um estudo feito entre junho e dezembro de 2015 no âmbito da Rede Social de Lisboa - gerida pela Câmara Municipal, Santa Casa de Misericórdia e pelo Centro Distrital de Segurança Social e que agrega Juntas e associações -, outros dos principais problemas nas freguesias relacionam-se com a família, a população ativa e a formação, a educação, a saúde comunitária e com a pobreza.

“Estas são as principais preocupações das juntas”, observou o vereador dos Direitos Sociais da autarquia, João Afonso, em declarações à agência Lusa.

Segundo o autarca, “a perceção dos problemas por parte das freguesias corresponde ao que referem os dados estatísticos”, nomeadamente dos Censos 2011.

Contudo, João Afonso assinalou que o diagnóstico demonstrou que estas são também as áreas “para as quais as freguesias não têm como dar resposta”, nomeadamente a temáticas como a saúde mental, o desemprego, os cuidados continuados, a saúde comunitária e a população ativa e formação, por ordem decrescente.

Os resultados obtidos resultam de um inquérito online feito às 24 Juntas de Freguesia da cidade, explicou o autarca, assinalando que esta foi a “primeira vez que se conseguiu juntar dados das instituições com estatísticas”.

Destas, 22 freguesias responderam às perguntas e duas não participaram.

“A Junta de Santa Maria Maior não respondeu [ao inquérito] porque tem o seu diagnóstico social e Carnide não quis responder”, precisou o vereador dos Cidadãos por Lisboa (movimento eleito nas listas socialistas).

Além das Juntas, o inquérito “Problemáticas e Prioridades Sociais” abrangeu outros membros da rede social de Lisboa (que conta 425 entidades), num total de 84 respostas dos parceiros.

Cruzando essas informações com as estatísticas, concluiu-se que na cidade de Lisboa, entre 1991 e 2011, houve uma “acentuada redução” da Taxa de Abandono Escolar e também um aumento da população idosa com 80 ou mais anos, na ordem dos 36,4%.

Assistiu-se também a um aumento do desemprego e da Taxa de Risco de Pobreza, que passaram, respetivamente, de 9,1% e de 17,9% para 14,0% e para 19,5% no final de 2014, no que toca à Área Metropolitana de Lisboa.

De acordo com João Afonso, estes resultados obtidos permitiram “definir eixos de intervenção [ao nível do território, dos públicos-alvo, dos grupos de maior vulnerabilidade e da promoção da empregabilidade] para criar medidas que serão implementadas pela rede social de Lisboa nos próximos quatro anos”.

Essas medidas estão expressas na estratégia do Plano de Desenvolvimento Social 2017-2020, aprovado por unanimidade na quarta-feira, em reunião pública do executivo.

O documento, que estipula a agenda para concretização destas ações, “visa a melhoria das condições de vida na cidade e representa a visão que os organismos que trabalham na área social têm da realidade com que trabalham”, adiantou João Afonso.

A Rede Social de Lisboa foi criada em 2006.