Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Eduardo Cabrita: “Portugal nunca pediu yazidis. Os yazidis escolheram vir para Portugal”

Eduardo Cabrita

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Vinda para Portugal de refugiados da comunidade yazidi atualmente na Grécia integra-se no plano regular de recolocação da UE. “Nunca houve um pedido específico de Portugal. Portugal nunca pediu Yazidis. Portugal mostrou-se disponível para os receber. Os que vão chegar muito em breve foram propostos a Portugal, escolheram vir para Portugal”, explica ao Expresso o ministro-adjunto Eduardo Cabrita, em resposta à acusação de discriminação feita pelo governo grego

"Há aqui um razoável equívoco. Não existe pela parte de Portugal nenhum processo de privilégio nem de escolha no que diz respeito à vinda de elementos da comunidade yazidi". A declaração, logo a abrir a conversa com o ministro-adjunto Eduardo Cabrita, visa afastar qualquer verdade das declarações proferidas pelo ministro grego para as Migrações que acusa o governo português de "discriminar tendo em conta a raça" no acolhimento de refugiados.

Em meados de 2016, Portugal manifestou a disponibilidade para receber mais de 400 yazidis, vindos da Síria e Iraque, que se encontravam dispersos em campos de refugiados na Grécia, mas a sua chegada dependia da sua inscrição voluntária no programa europeu de recolocação e na manifestação de interesse dos próprios em virem para Portugal. Apesar de já terem sido registadas quase duas centenas de processos, ainda não chegou nenhum yazidi ao país.

Na passada terça-feira, em declarações à Associated Press, o ministro grego Ioannis Mouzalas disse estar contra a posição de Portugal, afirmando que "o convite específico para [a ida de] yazidis é inaceitável" e que "nenhum Governo pode discriminar com base na raça". Eduardo Cabrita garante que tal não aconteceu, tal como nunca existiu nenhum pedido específico de refugiados iraquianos desta minoria religiosa.

"Nunca houve um pedido específico de Portugal. Portugal nunca pediu Yazidis. Portugal mostrou-se disponível para os receber Os que vão chegar muito em breve foram propostos a Portugal no âmbito do acordo europeu, escolheram vir para Portugal", explicou o ministro-adjunto Eduardo Cabrita. "E não dissemos que só iriamos receber yazidis. Não fazemos escolhas. Podem vir yazidis, iraquianos, sírios, eritreus, famílias, casais... Em breve vamos também receber menores desacompanhados", enumera o ministro-adjunto, destacando Portugal como um dos países que mais refugiados recebeu até ao momento, vindos da Grécia e Itália, estando a poucos dias de atingir o milhar.

A chegada do primeiro grupo de refugiados da comunidade yazidi, com cerca de 30 pessoas, está agendada para "as próximas semanas" e será acolhido em Guimarães. No primeiro trismestre de 2017 são esperados mais cem, com integração prevista em Lisboa. Portugal foi um dos dois países europeus, a par com a Alemanha, a disponibilizar-se para receber famílias desta minoria religiosa.