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Caso dos Comandos. Sargento Rodrigues suspenso “por alguns dias”

Exército avançou com sanções contra pelo menos dois dos três militares do curso 127 dos Comandos alvos de processos disciplinares. Dois instruendos morreram este verão

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Carlos Abreu

Jornalista

O sargento Ricardo Rodrigues, um dos instrutores do curso 127 dos Comandos, foi sancionado com uma pena de "proibição de saída de alguns dias", apurou o Expresso junto de fonte próxima do processo. Também o médico Miguel Domingues foi alvo de uma sanção: ficará sem dois terços do ordenado durante um mês.

Fonte da defesa do sargento Ricardo Rodrigues confirma este dado, mas acrescenta que o processo está "em fase de recurso", sem adiantar mais pormenores. Já o clínico responsável pelo curso 127 dificilmente ficará sem parte do salário, uma vez que a defesa deverá também recorrer.

No caso do sargento Ricardo Rodrigues, a "proibição de saída", tal como está prevista no artigo 33º do Regulamento de Disciplina MIlitar (RDM) obrigará este militar a permanecer no Regimento de Comandos na Serra da Carregueira. O RDM prevê sete níveis diferentes de penas que vão da simples repreensão à reforma compulsiva.

O Expresso apurou que nesta fase se trata de punições aplicadas pelo Comandante das Forças Terrestres, o tenente-general Faria Menzes, aos militares que têm agora prazos legalmente definidos para o recurso: neste caso para o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

Trata-se de dois dos três processos disciplinares movidos pelo Exército onde se pretendia averiguar de eventuais violações do Regulamento de Disciplina Militar.

Em dezembro, o Exército (que está a realizar uma investigação interna paralela à do DIAP de Lisboa e da PJ Militar), anunciou ter deduzido acusação contra três responsáveis pelo Curso 127, por violação de deveres militares.

Não foram reveladas as identidades dos três militares, que já tinham sido alvo de um processo disciplinar. O Expresso apurou no entanto que se trata do diretor do curso, o tenente-coronel Mário Maia, do capitão-médico Miguel Domingues e do instrutor sargento Ricardo Rodrigues, também indiciados pelo Ministério Público.

Ainda no final de 2016, os respetivos advogados entregaram a defesa do caso ao Exército, que irá agora ouvir testemunhas e acrescentar mais documentos ao processo. O caso poderá chegar ao Tribunal Administrativo, no caso de a defesa recorrer até às últimas instâncias, e correrá de forma independente ao inquérito-crime do DIAP de Lisboa. "Eles não estão acusados de matar quem quer que seja", lembra um dos advogados, que preferiu não se identificar.