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#RenHang. O fotógrafo chinês que põe tudo a nu

PROVOCADOR. O controverso fotógrafo chinês Ren Hang, de 29 anos, virou sensação internacional com as suas fotografias de nus que desafiam a censura do Governo de Pequim

FOTOS REN HANG/TASCHEN

O controverso fotógrafo, de 29 anos, virou sensação internacional com as suas fotografias de nus que desafiam a censura do Governo de Pequim

Aviso: este artigo contém imagens e descrições eventualmente chocantes. Não é aconselhável a menores de 18 anos

Uma mulher pinta os lábios da vagina com um batom vermelho. Outra está despida numa banheira cheia de peixes negros, grandes. Dois jovens, nus, beijam-se no telhado de um prédio. Nas fotografias de Ren Hang não há lugar para tabus. Mesmo na China, país que ocupa, segundo o relatório anual “Art Under Threat” (arte sob ameaça), o primeiro lugar entre os estados que mais ameaçam a liberdade artística.

Hang, 29 anos, é um rebelde com causa. Protegido de Ai Weiwei, é, como este, controverso no seu próprio país, mas virou sensação internacional com imagens que desafiam a censura do Governo chinês. Agora, a sua obra acaba de chegar à Taschen, repleta de sexo e nudez. O jovem chinês fotografa amigos e fãs no seu pequeno apartamento, nos telhados de Pequim, em cima de árvores, na água. Eles aparecem com as cabeças cobertas por polvos, seios tapados por serpentes, cinzeiros equilibrados em cima de um falo, tudo aquilo que a imaginação ditar no momento.

FOTOS REN HANG/TASCHEN

Os seus nus são crus e tantas vezes provocadores – há fotos de um homem a urinar para cima de outro que tem a cabeça envolta num saco e de uma mulher a urinar para um copo enquanto um jovem bebe o líquido com uma palha cor de rosa. “Não quero que as pessoas pensem que os chineses são robôs sem pénis e sem vaginas, ou com órgãos genitais sempre escondidos como um tesouro secreto. O que quero transmitir é que os nossos pénis e as nossas vaginas não são motivo de vergonha”, explica.

Tímido, magro e com tendência para a depressão, o fotógrafo nasceu a 30 de maio de 1987 em Nong' Na, um subúrbio de Changchun, capital da província de Jilin, conhecida como "Detroit da China" pela sua indústria automóvel. Com 17 anos, foi para Pequim estudar publicidade, mas depressa se aborreceu. Comprou então uma câmara compacta e começou a fotografar. Dez anos depois, já autopublicou sete livros e expôs em Pequim, Nova Iorque, Paris, Antuérpia, Atenas, Banguecoque, Copenhaga, Frankfurt, Hong Kong, Marselha e Viena.

Pode ver um pouco mais da obra de Hang nesta fotogaleria ou no livro da Taschen que acaba de chegar às bancas (€39,99).

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