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À prova de frio

fotos d.r.

Para quem gosta de um descapotável mas prefere um tejadilho rígido, o Mazda MX-5 tem, desde a geração anterior, um derivativo com capota elétrica. Agora, surge a nova versão, com um design que a distingue ainda mais do roadaster convencional. O jornalista Rui Pedro Reis foi a Barcelona, enfrentou o frio, andou a céu aberto e não se queixou. Pelo contrário, ficou com vontade de mais

RUI PEDRO REIS/SIC em Barcelona, Espanha

O céu está azul e ao sol nem parece que estão 7 graus. À minha frente está o Mazda MX-5 RF. As duas letras significam Retractable Fastback. Pela primeira vez, os engenheiros da Mazda acertaram na formula. Na segunda geração a capota rígida tinha de ser retirada manualmente e deixada num sítio qualquer. Na terceira geração, a marca japonesa introduziu uma abertura elétrica, mas esteticamente o modelo deixava a desejar. Agora, chega finalmente uma solução que me convence, com a abertura ao estilo Targa, que deixa a secção traseira no lugar. A mudança de conceito levou também a alterações a nível de suspensão e de afinação do chassis. Por isso, é como se fosse um carro novo. Mais uma desculpa para ignorar o frio e abrir a capota, por forma a sentir melhor o que vale este MX-5 com novo ADN.

Confesso que me socorri de um gorro, mas talvez nem fosse preciso. Ao premir do botão Start, o ronco irreverente do motor 2.0 tem notas de familiaridade. Estou em casa. O ensaio ao muito intessante bloco 1.5 fica para depois, já em Portugal. Por agora, estes 160 cv precisam de fugir à cidade. Sigo a caminho da montanha de Montserrat, a norte de Barcelona. O traçado é sinuoso e, assim que começo a subir, a temperatura muda no sentido inverso e fica abaixo dos 5 graus. À gelo nas zonas mais sombrias, mas nada que chegue para comprometer a diversão.

Uma questão de equilíbrio

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O peso do tejadilho e a alteração do centro de gravidade obrigaram a alterações na eficaz estrutura do MX-5. Alterações que passam muito pela suspensão, pelo estabilizador frontal e pela . O carro parece mais macio, menos nervoso em curva, e com travões muito eficazes e a resistir bem ao desgaste. Em curva, até parece mais previsível. Nota-se bem que as transferências de massa em traçados sinuosos acontecem sem grandes sustos. Resultado, dá para aumentar a velocidade e com ela a dose de adrenalina. Sentem-se menos vibrações da carroçaria, com se o carro estivesse mais filtrado. O MX-5 parece ter passado de adolescente a jovem adulto. Menos irreverente, mas com igual dose de diversão. Quase a chegar ao ponto mais alto de Montserrat provoco a traseira do MX-5 RF. É preciso passar bem dos limites para ter de domar este carro que é um exemplo de equilíbrio. Até pode ter menos sensação de roadster a céu aberto e existir bastante ruído aerodinâmico, mas este carro tem uma clientela assegurada. Daí que a marca assuma que as vendas vão ficar muito divididas entre o MX-5 convencional e este.

Dois motores com trunfos diferentes

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A grande vantagem do motor Skyactive-G 2.0 é conseguir maior potência a baixos regimes e uma sonoridade mais interessante, quando comparado com o Skyactive-G 1.5. A separa-los estão 29 cv. O mais modesto é o que terá vendas mais expressivas no mercado português, por uma questão de preço e consumos. Ambos convidam a esquecer a despesa em gasolina e a andar sempre acima das 3.500 r.p.m., que é onde a diversão começa a serio. A ajudar está a caixa manual de 6 velocidades, muito bem escalonada e com relações curtas. Já a nova caixa automática de 6 velocidades, reduz consumos e emissões, mas fica a ideia de que retira espontaneidade e fulgor a um automóvel que pede muita paixão. Mais uma vez, este coisa de sentir o zoo inteiro, faz com que as borboletas passem a ser uma coisa pouco interessante.

Novo design é aposta ganha

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Os designers da Mazda não escondem o orgulho na obra feita. Não é fácil mexer num automóvel esteticamente apelativo e premiado. O tejadilho acrescenta 45 kg de peso ao conjunto e abre em 13 segundos, a melhor marca do segmento. A abertura faz-se em três partes e até uma velocidade de apenas 10 km/h. Ou seja, o melhor mesmo é fazer a abertura com o carro parado. É este tejadilho que prolonga as linhas do carro para a traseira, o que lhe confere um visual mais Coupé e menos roadster. Quanto aberto, o tejadilho fica por trás dos bancos, pelo que o espaço da bagageira fica inalterado. Chega para dois trolleys. Perfeito para um fim de semana a dois. O interior está praticamente inalterado face ao MX-5. Há novos materiais e combinações de equipamentos e os bancos Recaro oferecem excelente apoio em curva e uma posição de condução que anda perto da perfeição. Já era assim no MX-5 e a história continua no MX-5 RF. É impossível não assumir a paixão por um carro que nasceu para ser conduzido. E neste caso, os preços começam abaixo dos 30.000 euros. Ou seja, e como a marca defende, um brinquedo com um preço que está longe de ser proibitivo.

FICHA TÉCNICA

Mazda MX-5 RF Skyactive-G 2.0

MOTOR
1998 cc
160 cv
200 nm às 4600 r.p.m.

TRANSMISSÃO
Traseira
Caixa manual de velocidades

215 km/h vel. máxima
7,5 s 0-100 km/h

CONSUMOS
6,6 l/100 km ciclo misto
154g CO2/km

Preço: 41 600€ (Skyactive-G 1.5 a partir de 29 840€)