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“O futuro cada vez mais será multiplataformas”

Francisco Pedro Balsemão foi o convidado da terceira edição das Conversas na Bolsa, iniciativa realizada no Porto, no Palácio da Bolsa

LUCILIA MONTEIRO

Francisco Pedro Balsemão, presidente-executivo do grupo Impresa, fala no Porto sobre o valor dos media no século XXI e sublinha que a crescente importância do digital não significa o fim do papel

Se o presente é digital, o futuro sê-lo-á cada vez mais, mas os grupos de media têm de estar preparados para assegurar a diversidade de plataformas, desde logo porque o domínio de umas não significa o fim de outras e todos os meios podem coexistir, desde que se adaptem e apostem na qualidade. Estas são algumas das convicções expressas ao princípio da tarde desta sexta-feira por Francisco Pedro Balsemão, presidente executivo do grupo Impresa – proprietário do Expresso, Visão e SIC, entre outros meios –, na sua intervenção enquanto convidado da iniciativa Conversas na Bolsa, organizada pela Associação Comercial do Porto e realizada no Palácio da Bolsa.

Depois de um início marcado por alguma emoção, ao recordar a circunstância de ser afilhado de um dos homens que marcam um certo imaginário do Porto contemporâneo, Miguel Veiga, de quem evocou o livro “Um advogado à volta das letras em redor do Porto”, Francisco Pedro deixou uma afirmação que constitui em si mesma uma definição do universo em que se formou: “onde me sinto em casa é na área da comunicação social”. Disse-o depois de sublinhar que por circunstâncias várias não tem, como tinha Miguel Veiga, um lugar de pertença a que se sinta ligado de forma tão intensa e apaixonada.

Se é verdade que o mundo da comunicação social lhe agrada muito, não é menos verdade que também lhe provoca muitas frustrações. Ao ser uma indústria “primordialmente baseada nos afetos” tem de acompanhar “as alterações nos hábitos dos consumidores”, que têm sido brutais, muito em consequência das mudanças tecnológicas.

Ao comentar os progressos do grupo na área do digital, deixou claro que o grupo pode “estar na linha da frente no digital”, mas não pode secundarizar ou perder o papel.

Os media bons e os media maus

Afinal, acrescentou, “o futuro cada vez mais é plataformas”, num mundo que dividiu entre media bons e media maus. O modelo de negócio terá de ser reinventado, mas os media “só podem ser realmente bons se forem economicamente independentes”. Quando isso não acontece, disse o presidente executivo do grupo Impresa, verifica-se a entrada de outros intervenientes com objetivos muitas vezes “impróprios”.

Os media têm de se demarcar das redes sociais, e não têm sido capazes de o fazer, acrescentou. Tudo isto numa lógica em que com frequência é preferida a velocidade em detrimento do rigor e da credibilidade.

No contexto global do acesso á informação é essencial, disse ainda Francisco Pedro, “ouvir opiniões diferentes das nossas, pensar livremente, recorrendo a fontes de informação variadas e fidedignas”. Aí terão um papel crucial os media bons, que “se regem por critérios deontológicos dos quais não abdicam em qualquer circunstância”.