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Ricardo Salgado proibido de se ausentar do país

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

Luis Barra

O ex-presidente do Banco Espírito Santo fica também proibido de contactar os restantes arguidos, “bem como com algumas pessoas e entidades com ligações ao Grupo Espírito Santo”. Medidas de coação foram decretadas pelo juiz Carlos Alexandre

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O juiz decidiu aplicar a Ricardo Salgado as medidas de coação de “proibição de ausência para o estrangeiro sem prévia autorização”, ficando o ex-presidente do BES proibido também de manter contactos com os restantes arguidos e “com algumas pessoas e entidades com ligações ao Grupo Espírito Santo”.

Ricardo Salgado foi ouvido durante as últimas horas pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa. Já tinha sido interrogado durante a tarde pelo procurador Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

O ex-presidente do Banco Espírito Santo foi indiciado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, abuso de confiança, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal qualificada no âmbito da Operação Marquês.

É a terceira vez que Salgado é constituído arguido, depois do caso Monte Branco e da investigação ao Universo Espírito Santo.

Até à data foram constituídos na Operação Marquês 20 arguidos (15 pessoas singulares e 5 coletivas), no âmbito deste inquérito, que é investigado pelo DCIAP.

A figura central no caso é o ex-primeiro ministro José Sócrates, detido em novembro de 2014. Esteve cerca de dez meses em prisão preventiva, no estabelecimento prisional de Évora.

A investigação deverá estar concluída no próximo mês de março mas não é impossível que os prazos voltem a ser dilatados devido à complexidade do caso e a novos dados que entretanto tenham surgido.

A equipa coordenada pelo procurador Jorge Rosário Teixeira reuniu indícios de que a maior parte do dinheiro que Sócrates alegadamente recebeu através do seu suposto testa de ferro, o empresário Carlos Santos Silva, teve origem no saco azul do Grupo Espírito Santo (GES).

Em troca desse dinheiro terá bloqueado a tentativa de compra da Portugal Telecom (PT) pelo grupo Sonae em 2007, impondo mais tarde, em 2010, a compra da empresa de telecomunicações brasileira Oi.