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Investigação antidroga que durava há dois anos faz 50 arguidos

Rede que operava entre Portugal e o Brasil foi desmantelada pela PJ. Correios de droga tiveram formação específica para transportar a cocaína em voos comerciais

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Uma rede de tráfico de cocaína que operava entre o Brasil e Portugal foi desmantelada esta semana. Trata-se de "uma importante operação no âmbito do combate ao tráfico internacional de estupefacientes por via aérea, no decurso da qual foram detidos quatro mulheres e dois homens", revela a Polícia Judiciária em comunicado.

A Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, da PJ, investigava a rede há cerca de dois anos, desmantelando uma "organização criminosa transnacional", sedeada na região de Lisboa, "liderada e constituída por cidadãos nacionais".

No decurso da investigação, foram identificadas e constituídas arguidas cinquenta pessoas, "tendo sido detidos treze homens e doze mulheres em diferentes momentos da investigação, quatro homens e duas mulheres dos quais no Brasil, quando se preparavam para embarcar no voo que os transportaria para Lisboa, e apreendidos 96 quilogramas de cocaína".

De acordo com a PJ, o modus operandi da rede consistia na aquisição de quantidades consideráveis de cocaínano Brasil, que depois era transportada para Portugal em voos comerciais por “correios” e posteriormente distribuída no território nacional.

Esta organização criminosa revelava "uma estrutura bem definida e sofisticada", com regras precisas quanto à definição do perfil e "forma de recrutamento dos “correios” que iriam efetuar o transporte, os quais eram sujeitos a formação específica".

Em regra, os “correios” transportavam a cocaína no interior das suas bagagens. "Nalgumas ocasiões contudo, a droga foi dissimulada no interior do organismo de “correios” e também enviada através de encomendas postais", acrescenta a PJ.

No decurso da operação agora concretizada foram efetuadas quarenta e cinco buscas domiciliárias, sendo apreendidas pequenas quantidades de MDMA e de haxixe.

Os detidos, entre os 24 e os 39 anos, irão ser presentes à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.