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Governo assegura que 2017 será “ano de viragem” nos transportes públicos

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Na sua intervenção da tarde desta quarta-feira no Parlamento, o ministro do Ambiente falou sobre várias empresas de transportes, prometendo manter o seu “inalienável carácter público”. Reconheceu ainda que a Metro de Lisboa foi a “situação mais complexa” que encontrou quando chegou ao cargo

O ministro do Ambiente garantiu esta quarta-feira que 2017 será o "ano de viragem" nos transportes públicos, asseverando que o executivo não olha para as empresas, ao contrário de PSD e CDS, como um "fardo que agrava o défice".

A "fundamental diferença" do Governo do PS para com o anterior executivo PSD/CDS, disse João Matos Fernandes, que tutela os transportes, é que o executivo "gosta" das empresas de transportes. "Não olhamos para elas como um fardo que agrava o défice e vamos manter o seu inalienável caráter público", advogou o governante.

Matos Fernandes falou no parlamento no arranque de um debate de urgência pedido pelo Bloco de Esquerda (BE), que alerta para a degradação dos transportes e apresenta, ao mesmo tempo, iniciativas legislativas sobre o setor.

Em relação à Metro de Lisboa, que afirmou ser a "situação mais complexa" que encontrou quando chegou ao Governo, Matos Fernandes referiu que havia "bilhetes dependentes de um único fornecedor", estações "ao abandono" e problemas de manutenção que estão a ser corrigidos, adiantou João Matos Fernandes.

"Até ao final de abril deixaremos de ter em definitivo problemas" a nível de manutenção, disse, acrescentando ainda que a 10 de fevereiro será iniciada a "formação de 30 novos funcionários dos mais de mil que concorreram" para entrar na empresa. "As melhorias no verão serão sentidas por todos", garantiu em plenário.

Também a Transtejo e a Soflusa foram abordadas, bem como as empresas de transportes públicos do Porto. A título de curiosidade, o ministro com a pasta dos transportes declarou que das 150 mil pessoas que estiveram na Avenida dos Aliados no final do ano, "120 mil foram transportadas em transporte coletivo".

Pelo BE, que marcou o debate, o deputado Heitor de Sousa tocou em várias matérias, como a dos preços. "Não faz sentido reduzir os preços dos transportes enquanto o patamar de oferta não seja reposto ao nível do que acontecia há quatro anos", argumentou. O parlamentar lamentou a entrega da Move Aveiro a privados "no dia 1 deste mês", acrescentando que as empresas de transportes "têm sido obrigadas a servir pior e mais caro" os utentes.

O bloquista lembrou ainda que 23 carruagens no metropolitano da capital estão imobilizadas devido a falta de peças, nomeadamente de rodas, "além de faltarem 50 maquinistas e 100 trabalhadores para as estações e manutenção". Para si, "a situação nos transportes é intolerável pois é o direito ao transporte que está em causa", mencinando também que no último ano "aumentaram igualmente as baixas" por doenças profissionais. "Só na Carris 55 motoristas entraram em baixa médica".

A coordenadora do BE, Catarina Martins, juntamente com outros deputados e dirigentes do partido, viajou na manhã de segunda-feira no Metro de Lisboa, entre as estações de Cais do Sodré e Intendente, na linha Verde, acompanhados por membros da comissão de trabalhadores da empresa e, no final, anunciaram o agendamento do debate de urgência.