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Estado paga 6,53 euros por cada chamada atendida pela Saúde 24

Captura de ecrã

Contrato com o operador foi renovado até junho. Vale cinco milhões de euros

De cada vez que um cidadão telefona para a linha Saúde 24, o Estado paga ao operador 6,53 euros e o utilizador oito cêntimos por minuto de atendimento, o custo de uma chamada local. O valor, ligeiramente inferior ao que era pago em anos anteriores, está em vigor desde junho e vai manter-se nos próximos seis meses, quando termina o contrato anual, no valor de cinco milhões de euros.

A informação foi veiculada na tarde desta quarta-feira num comunicado da Direção-Geral da Saúde (DGS) "ao abrigo do princípio da transparência". No documento, o diretor-geral da Saúde Francisco George explica que "a empresa que mantém em funcionamento a Saúde 24 foi selecionada por procedimentos visados pelo Tribunal de Contas". É ainda referido que, "além disso, é um serviço sistematicamente auditado pela Direção-Geral da Saúde; provavelmente, será mesmo o contrato desta natureza mais fiscalizado, em termos de rigor, em Portugal".

Sobre o serviço, há funcionamento há quase uma década, é dito que é "muito apreciado pelos cidadãos, tal como refletem os sucessivos inquéritos conduzidos por empresa independente". Em termos de balanço, a DGS faz saber que o centro de atendimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) "recebeu o contacto de mais de 2,3 milhões de cidadãos" e que, "do total de telefonemas recebidos, estima-se que foram evitadas mais de 1,4 milhões de idas desnecessárias às Urgências". É também explicado que "mais de 50% das chamadas ocorrem entre as 17h e a 1h da manhã, período em que os enfermeiros e os médicos nos centros de saúde, em muitos situações, já não estão disponíveis".

O atual contrato da linha Saúde 24 cessa em junho, quando está previsto o início de um centro de contactos do SNS mais abrangente. Prestará serviços informativos, administrativos, de triagem e de orientação e de telecuidados. O concurso está aberto, vale 30 milhões de euros e vigorará por três anos. O atual operador da Saúde 24 deverá estar entre os candidatos.

  • Bastonário dos Médicos alerta para deficiências e custos da linha Saúde 24

    Em fim de mandato, José Manuel Silva volta a alertar para a necessidade de reformular a linha Saúde 24. O bastonário da Ordem dos Médicos nota que o custo de chamada para este serviço fica quatro ou cinco vezes mais caro ao Estado do que o custo de hora de trabalho de um médico e que o atendimento telefónico é “despersonalizado, anónimo e sujeito a algoritmos rígidos”