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Marcelo recorda “estatuto icónico” de Maria Cabral

“Foi um rosto emblemático do nosso tempo, deixando-nos a imagem de uma mulher luminosa e irreverente, inquieta e livre”, recorda o chefe de Estado numa mensagem publicada no site da Presidência

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou esta segunda-feira condolências à família da atriz Maria Cabral, "rosto emblemático" do cinema, que morreu no sábado, aos 75 anos.

"Nenhum outro ator ganhou, com uma obra tão breve, um estatuto tão icónico no cinema português", salientou Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem publicada esta segunda-feira no sítio da Presidência da República Portuguesa na internet.

A atriz portuguesa de cinema e teatro Maria Cabral morreu no sábado, em Paris, aos 75 anos, anunciou esta madrugada a Academia Portuguesa de Cinema.

Da carreira da atriz, o Presidente da República lembra "particularmente 'O Cerco', de António da Cunha Telles, filme no qual Maria Cabral ajudou a prolongar a tentativa fugaz, mas decisiva de um 'cinema novo'".

"Foi um rosto emblemático do nosso tempo, deixando-nos a imagem de uma mulher luminosa e irreverente, inquieta e livre", lê-se na mensagem.

Numa entrevista à RTP recordada esta segunda-feira pela televisão pública na internet, quando da rodagem do filme de Cunha Telles, Maria Cabral explicava que a personagem de "O Cerco", Marta, era "uma senhora que se deixava levar um pouco pelas circunstâncias, dentro de um certo tipo de sociedade, em Lisboa".

O filme data dos últimos anos de ditadura do Estado Novo e centra-se numa jovem mulher, que se afasta do marido, do casamento, da família, e sobre a qual se aperta "o cerco" social.

Além de "O Cerco" (1970), Maria Cabral entrou também em "O Recado" (1972), primeira longa-metragem de ficção de José Fonseca e Costa, que aborda a ação da polícia política, em plena ditadura.

Os dois filmes fizeram de Maria Cabral "o rosto do novo cinema português", no início da década de 1970.

A sua carreira prosseguiu com "Vidas" (1984), de António da Cunha Telles, um reencontro com Portugal do pós-25 de Abril, e "Um Adeus Português" (1986), de João Botelho, uma das primeiras reflexões do passado da Guerra Colonial, em cinema, através da viúva (Maria Cabral) de um soldado morto em combate.
Entre outras produções, Maria Cabral entrou igualmente em "No Man's Land" (1985), do realizador suíço Alan Tanner.

"Maria Cabral foi rosto e símbolo do Novo Cinema Português", disse a Academia Portuguesa de Cinema, através da sua página de Facebook, onde lamentou, "com grande tristeza", a morte da atriz.

Maria da Conceição Gomes Cabral nasceu em Lisboa, em 1941, cresceu em Luanda e regressou ao ponto de partida, mais tarde, para estudar filosofia.

Antes do trabalho no teatro e no cinema, no final da década de 1950, nos primeiros anos da RTP, foi apresentadora de programas infantis.

Após a estreia no cinema, em Portugal, acabaria por se fixar em Paris.

Na pequena entrevista recordada esta segunda-feira pela televisão pública, perguntam à então jovem atriz de 29 anos "o que fez até agora?": "Até agora, fiz um filho, pouco mais", respondeu, entre sorrisos.

  • Foi um “rosto e símbolo do Novo Cinema Português”, realça a Academia Portuguesa de Cinema a propósito da morte da atriz, em Paris, no último sábado