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Depois de Trump... Zuckerberg?

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Um artigo publicado na “Wired” sugere que as movimentações do dono da maior rede social do planeta podem indiciar uma futura candidatura à Casa Branca. O que se poderia esperar de um Presidente que, além de comandar a maior democracia do mundo, controla a maior rede social do planeta?

Estamos no campo da especulação. Da pura especulação.ESTE ARTIGO publicado na “Wired” relaciona as recentes movimentações do fundador, e CEO da Facebook, com uma possível candidatura de Zuckerberg à presidência dos Estados Unidos.

Afinal, diz o artigo, a resolução anual de Zuckerberg é a de visitar 30 estados dos Estados Unidos e falar com algumas das pessoas que aí vivem. Dessa forma, no final de 2017, ele terá colocado os pés nos 50 estados que constituem aquele país.

Também na “Wired” é referido que o criador do Facebook deixou de ser ateu e que voltou a abraçar o judaísmo – a religião em que foi criado. Aliás, isso pode ser lido na MENSAGEM DE BOAS FESTAS que deixou este ano no Facebook.

Ou seja, temos um homem que vai ter mais de 35 anos nas próximas eleições, que abraçou a religião e, na altura, terá visitado e feito amizades em todos os estados daquele país. Além disso, é possível que Zuckerberg se afaste da “sua criação” durante um longo período, voltando, mais tarde, ao leme do Facebook.

Isso mesmo ficou escrito “preto no branco” quando Zuckerberg negociou a sua posição no futuro da empresa. Ficou definido, com os outros acionistas, que mesmo que a Facebook emita mais ações, Mark continuará a liderar a empresa. Foi também nessa renegociação acionista que ele terá conseguido definir a tal autorização para poder sair da empresa para, por exemplo, ter um cargo público, e contar com as portas abertas para um regresso à Facebook.

As condições estão criadas, mas seria possível ter alguém como Presidente que, ao mesmo tempo, controla o meio no qual mais de 40% dos norte-americanos consomem, hoje, a informação?

Recordo, o artigo da “Wired” é totalmente especulativo, mas será assim tão descabido? Não, não é. Aliás, a eleição de Trump veio provar que numa eleição para a Casa Branca… tudo é possível.

O Presidente da pós-verdade?

Já sabemos que foram criadas notícias falsas que levantaram suspeições sobre Hillary Clinton. Também começamos a saber que a Rússia poderá estar envolvida. Obama (apoiado em relatórios das forças de segurança) acredita que sim; Trump, apoiado por Julian Assange e pelas relações próximas de ambos com Putin, não. No entanto, nem o presidente de saída, nem o que está a entrar colocam em causa o poder das redes sociais na política.

O que seria se, nas próximas eleições, Zuckerberg ganhasse as primárias republicanas ou democratas? Afinal, durante a campanha o patrão da Facebook não assumiu, claramente, o apoio a qualquer dos candidatos. À CNN CHEGOU A DIZER que recusava qualquer rótulo político dizendo-se, antes, “um defensor da economia do conhecimento”.

No entanto, no mesmo artigo da CNN, Zuckerberg sempre vai defendendo a legalização rápida dos emigrantes que entram nos Estados Unidos e que têm uma participação ativa nas comunidades. Sendo um homem que defende a tal “economia do conhecimento”, quero acreditar que Zuckerberg pende para o lado democrata e que será a antítese do personificado por Trump.

Para compor o perfil presidenciável, é preciso referir a atividade filantrópica da fundação que tem com a mulher (a Chan Zuckerberg Iniciative) que pretende curar todas as doenças e apoiar o desenvolvimento do potencial humano e a promoção do acesso a oportunidades iguais para todos. Pode ler mais AQUI

E como seria um presidente Zuckerberg? Como seria a campanha política do homem que controla o Facebook? Estive a ver e há apenas um Presidente americano, na História, dono de um jornal. Terá sido Warren G. Harding (Presidente entre 1921 e 1923), que, aos 19 anos, comprou um jornal que estava prestes a falir. Donald Trump tem, apenas, uma produtora de TV que faz formatos de sucesso como os reality shows “The Apprentice” e “Pageant Place”.

Ter uma arma de arremesso tão poderosa do seu lado (mesmo tendo em conta que ele saía da Facebook para se candidatar) seria um sério desequilíbrio à balança que de comunicação que, habitualmente, é nivelada pelo dinheiro que os candidatos conseguem angariar.

E é preciso não esquecer que Zuckerberg não é um “gestor de papel”. Ele é um hacker, no melhor sentido da palavra. É um programador que domina as ferramentas técnicas que fazem a Internet respirar. Um Presidente com este tipo de conhecimentos teria uma vantagem clara numa sociedade eminentemente técnica e tecnológica. Seria capaz de perceber a importância das cidades inteligentes; da produção de energias limpas; da transformação do tecido empresarial e da força de trabalho; e, entre muitas outras benesses, teria uma capacidade apurada para perceber o problema da ciberguerra que ocorre hoje no mundo, com os Estados Unidos a atacar e a serem atacados por chineses e russos. Não há qualquer dúvida que o futuro se escreve em código binário e seria importante, pelo menos considero que assim seja, que o Presidente da maior democracia do mundo fosse versado nestes temas.

Mesmo a especular, a “Wired” levanta um cenário que não é descabido. Mas se colocarmos como hipótese que o próximo Presidente americano seja um hacker (mais uma vez reforço que a utilização do termo é feita na sua melhor vertente), então vejo Bill Gates ou Jeff Bezos como melhores candidatos. Gates tem a idade, o estatuto e a visão certas para o cargo. É o homem mais rico do mundo (o que o liberta dos laços de qualquer lobby), é um reconhecido filantropo que defende princípios de igualdade e, entre muitas outras coisas, é um profundo conhecedor dos desafios que relacionam a tecnologia com o desenvolvimento das sociedades. Bezos partilha a maioria destes pontos com a vantagem de ser, ainda, um empresário no ativo com atividades que vão desde o desenvolvimento de foguetões à inteligência artificial dos equipamentos que a Amazon está a colocar no mercado.

Se há algo que a eleição de Trump veio provar é que a partir de agora tudo será possível na eleição presidencial americana. E, dentro de todos os cenários hipotéticos, o que mais agrada, realmente, é ver um “techie” à frente dos Estados Unidos.