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A força da razão

ECRÃ É possível “espelhar” algumas apps do smartphone no ecrã central

Este Kia é um bom exemplo de como os carros estão, cada vez mais, na categoria dos gadgets: de série já é capaz de condução semiautónoma em autoestradas e até é capaz de carregar telemóveis sem qualquer cabo

Uma insígnia pode valer muito. Mais ainda na indústria automóvel, onde características como a confiança e o valor de retoma são muito valorizadas. O símbolo certo na grelha faz toda a diferença quando atribuímos um valor a um automóvel. O que pode ser injusto para fabricantes com ainda pouca história. É o caso da Kia, que provavelmente terá dificuldades em vender o Optima a clientes que normalmente preferem as grandes marcas. Injusta porque este Optima… está muito próximo de ser ótimo. Espaço a rodos, construção sólida, dinâmica convincente e a mais recente tecnologia. Tanto debaixo do capô, onde o motor Diesel convence pela boa disponibilidade, como nos sistemas de infoentretenimento e de apoio de condução. E, ao contrário do que é habitual nas marcas ditas premium, os sistemas de cruise control adaptativo e de manutenção na faixa de rodagem não são opcionais de milhares de euros. Na verdade, até são fornecidos de série!

Muita tecnologia, mas…

E é pela tecnologia de assistência à condução que começamos. Este Kia é capaz de seguir o trânsito e manter-se na faixa de rodagem automaticamente. O cruise control adaptativo provou ser eficiente e com uma velocidade de reação apropriada, sem acelerações ou travagens bruscas. Como é habitual, o condutor pode escolher uma de três distâncias de segurança para o carro da frente. O sistema transmitiu-nos confiança, tornando a condução bem mais confortável em viagens longas e nos engarrafamentos. Mas, neste último caso, o condutor pode ser chamado a intervir já que o cruise control adaptativo é desativado quando o carro para durante alguns segundos.

A manutenção na faixa de rodagem não é tão confiável porque exige que as linhas que separam as faixas estejam bem visíveis, o que muitas vezes não acontece. Mas é uma boa tecnologia para evitar que o condutor deixe o carro sair da faixa em consequência de alguma distração. Sente-se um force feedback no volante para levar o carro para o centro da faixa.

Estes apoios à condução são controlados através de botões no volante. Como há mais uns quantos botões para controlar os menus, o volume do som e o sistema de comandos por voz, a interface torna-se algo confusa. Confusão é o que não existe na interface gráfica do ecrã central tátil, que tem menus em árvore simples. Mas a posição do ecrã obriga o condutor a esticar o braço para interagir com o sistema. Faz falta uma roda de comando ou touchpad para evitar o tátil – seria mais seguro.

O carregador sem fios foi uma agradável surpresa, embora a eficiência do carregamento seja reduzida

O carregador sem fios foi uma agradável surpresa, embora a eficiência do carregamento seja reduzida

Quatro câmaras (frontal, traseira e lateral) ajudam nas manobras. Além da visão em 360 graus (o carro é apresentado de um ponto de vista superior), é possível aceder diretamente à imagem captada por cada uma das câmaras. Prático para, por exemplo, sabermos com exatidão onde o pneu do lado direito está a passar.

O sistema de infoentretenimento pode ser ligado ao smartphone via cabo USB, suportando o Android Auto e o Apple CarPlay. O que significa que, além das “apps” do próprio carro, onde se destaque o bom sistema de navegação, é também possível usar apps do smartphone no ecrã do computador de bordo. Se não gosta de cabos, pode sempre recorrer ao Bluetooth para estabelecer as ligações normais (telefone, áudio, agenda e dados) e, bem mais invulgar, ao carregamento sem fios, desde que o telemóvel suporte esta tecnologia. Basta deixarmos o smartphone no compartimento junto à manete das mudanças.

Sensações premium

O conforto a bordo é outra das características bem acima do que estamos habituados neste segmento de preço. Além do espaço amplo, os bancos têm um bom equilíbrio entre apoio e conforto. Os acabamentos são convincentes, com destaque para a utilização de painéis flexíveis. As colunas Harman Kardon garantem um bom som e a insonorização é eficiente – quase não se ouve o motor nem o ruído de rolamento.

É o primeiro carro que ensaiámos com condução semiautónoma incluída no preço base

É o primeiro carro que ensaiámos com condução semiautónoma incluída no preço base

O motor responde de modo satisfatório. Pode não estar à altura das expectativas levantadas pelos dois escapes generosos, mas “dá para os gastos”, até porque a caixa de sete escalonamentos é rápida q.b.. Verificámos que o consumo real anda pelos 6 a 7 litros aos 100 km. Não é uma referência, mas também não é penalizador.

Em suma, o Optima não é o mais desportivo, não é o mais luxuoso, mas consegue um bom equilíbrio a um preço sem concorrência. E, ainda mais importante para nós, fãs de gadgets, vem de série com algumas das mais sofisticadas tecnologias de infoentretenimento e apoio à condução.