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Instantes decisivos

d.r.

E se o mais acessível dos Porsche fosse também o mais emocionante? O novo 718 Cayman tem um motor de quatro cilindros, mas consegue números que impressionam. O jornalista Rui Pedro Reis levou os 300 cv do Cayman para umas voltas a galope no Circuito Estoril e concluiu que esta nova aposta da casa de Estugarda tem sucesso garantido

Rui Pedro Reis/SIC

Admito que quando tenho de ensaiar um desportivo em estrada penso no que não vou poder fazer com ele. Por isso, ter a oportunidade de testar o novo Porsche 718 Cayman no Circuito Estoril é tão bom como convidar o melhor amigo para um churrasco em casa. O dia estava frio mas soalheiro, a pista seca a convidar a umas voltas muito rápidas. Parado no pit lane, o Cayman esperava por mim. Uma das novidades desta nova geração é que a versão Boxter e Cayman (roadster e coupé) estão unidas sob a designação 718. O número remete para o mítico modelo de competição construído pela marca alemã entre 1957 e 1962. À data, estreou com um motor 1.5 quatro cilindros, a debitar 142 cv.

Olhos nos olhos


O primeiro encontro é visual. O Cayman está mais maduro, mais desportivo. Apetece conduzi-lo. Está mais parecido com o Boxster e destacam-se as generosas entradas de ar que têm como objetivo arrefecer os ânimos do motor 2.0. Dou por mim a pensar se os 300 cv serão suficientes para acelerar o Cayman e o coração de quem segue ao volante. Já lá vamos. Antes de entrar admiro a secção traseira, onde o novo spoiler promete um bom apoio aerodinâmico em curva. As fotografias falam por si, o que é a melhor desculpa para deixar a descrição estética e entrar a bordo. Por dentro, não aconteceu grande coisa. O novo painel de infoentretenimento é o que mais se destaca. O resto permanece quase inalterado. Nem era preciso mexer. Ajusto o banco e em pouco tempo tenho a posição de condução ideal. Tento ignorar que muitas das opções que tenho à minha frente são extras. É o caso do Apple Car Play, que permite ligar um iPhone ao sistema e que em modelos do segmento B já aparece como equipamento de série. Mas o tempo não é para lamentos. O botão de Start chamava por mim, que o dia tem as horas contadas e há paixões que são para ser vividas.

À primeira volta dou por mim a pensar que a paixão só pode aumentar. Apagam-se os receios que tinha sobre o motor turbocomprimido. São mais 25 cv face à geração anterior. No Cayman S, que tem um motor 2.5, a potência sobe para 350 cv. Mas por agora nem penso nisso. O comportamento em curva é soberbo. Nem por um momento dou por mim a pedir mais potência à saída das curvas.

À saída da parabólica interior, preciso de provocar muito o Cayman para o levar a excessos que me obrigam a refrear os ânimos. Mas quase não há surpresas. Nem com o passar das voltas os travões acusam o desgaste. Claro que a cada quatro, é preciso parar para arrefecer. Afinal, este não é um automóvel de competição.

Alma e coração

Nestas coisas emocionais, mesmo com um automóvel, é preciso recorrer aos números para, de alguma forma, quantificar o que se sente. Contas feitas, este Cayman consegue prestações que ainda há pouco tempo só tínhamos com motores bem maiores. A aceleração dos 0 ao 100 km/h acontece em 4,9 s. São apenas mais 0,2 segundos do que conseguia o Cayman GT4, com motor 3.8 a debitar 380 cv. Agora, com o motor mais pequeno, com colocação central, a vantagem é não só o peso, mas também o equilíbrio. Os engenheiros da Porsche conseguiram também reduzir os consumos e as emissões de CO2. Nem vou falar de quanto estava a consumir em pista com as rotações sempre acima das 3000 por minuto. Contrastam demasiado com os 6,9 litros anunciados.

Mas um consumo real numa utilização quotidiana pode rondar os 8 litros, o que também era muito complicado na geração anterior. Essencial neste conjunto é a caixa PDK com sete velocidades. Ajuda ao prazer de condução e torna a condução desportiva ainda mais divertida. De repente o som do motor até parece mais vivo. Contribui para isso o botão colocado na consola central que dá mais vida à sonoridade deste aparentemente discreto bloco 2.0. Não é o som mais incrível, mas paciência. O que falta de som, é compensado por exemplo pela direção muito informativa e que se adapta ao estilo de condução. A suspensão PASM foi totalmente O que sei é que não apetece parar e dá ganas de tentar fazer a próxima curva sempre mais depressa. Borboletas no estômago? Não… o Porsche Cayman vem com o zoo todo!

O Porsche de entrada

Sim, o que acabou de ler é sobre o Porsche mais barato que o dinheiro pode comprar. Ou menos caro. Pode não ser um 911, mas já não anda assim tão longe. É um dois lugares, e não são precisos mais. Este 718 Cayman é daqueles de que temos saudades cinco minutos depois de o termos largado.

FICHA TÉCNICA Porsche 718 Cayman

Motor
1988 cc
300 cv
380 nm às 1950 r.p.m. - 4500 r.p.m.

Transmissão
Traseira
Caixa Automática PDK 7 velocidades

Prestações
275 km/h vel. máxima
4,9 s 0-100 km/h

Consumos
6,9l/100 km ciclo misto
158g CO2/km

Preço: €63.300