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Sociedade

€10 milhões para dar vida ao interior em 2017

INCENTIVOS. Os projetos turísticos do interior vão ter este ano apoios adicionais. Na foto, a Aldeia da Pena, no distrito de Viseu

FOTO LUCÍLIA MONTEIRO

Eventos culturais nas aldeias portuguesas, revitalização de termas ou criação de percursos pedestres - o programa Valorizar vai apoiar em 90% projetos para trazer turismo ao Portugal profundo, o que pode ir até €400 mil para entidades sem fins lucrativos

Quem decidir avançar com projetos turísticos no interior do país vai ter uma ajuda extra em 2017. Já está ativa a nova linha de apoios do programa Valorizar, com uma dotação total de €10 milhões, cujo prazo para candidaturas vai estar em vigor ao longo do ano inteiro.

Os apoios financeiros do programa Valorizar em 2017 têm como alvo “projetos de investimento e iniciativas que tenham em vista a regeneração e reabilitação dos espaços públicos com interesse para o turismo e a valorização turística do património cultural e natural do país”, também no objetivo de “promover condições para a desconcentração da procura, a redução da sazonalidade e a criação de valor”, conforme frisa o Diário da República de 3 de janeiro, onde foi publicada a regulamentação desta nova linha de apoios.

ALENTEJO DE PEDRA E CAL. O programa Valorizar vai apoiar eventos de animação ou que promovam visitas às zonas do interior

ALENTEJO DE PEDRA E CAL. O programa Valorizar vai apoiar eventos de animação ou que promovam visitas às zonas do interior

FOTO LUÍS BARRA

“Serão abrangidos por esta linha projetos que promovam a valorização do património e dos recursos endógenos das regiões, a diversificação da oferta nomeadamente de 'cycling & walking' (percursos pedestres e de bicicleta), turismo de natureza, turismo equestre, revitalização das termas e dinamização turística das aldeias”, destaca o gabinete da Secretária de Estado do Turismo. “Estão ainda incluídas iniciativas que visem a estruturação de programas de visitação turística no interior e o desenvolvimento de calendários de eventos com potencial turístico e com impacto internacional”.

O regulamento do programa Valorizar estabelece “apoios financeiros que ascendem a 90% do valor das despesas elegíveis”, tendo os projetos por parte de empresas um limite máximo de apoios de €150 mil, enquanto as entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos podem candidatar projetos com apoios até €400 mil.

ALDEIAS DO XISTO. Na aldeia de Benfeita, todos os anos se celebra, a 7 de maio, o fim da II Guerra Mundial, com 1620 badaladas na torre sineira

ALDEIAS DO XISTO. Na aldeia de Benfeita, todos os anos se celebra, a 7 de maio, o fim da II Guerra Mundial, com 1620 badaladas na torre sineira

FOTO LUCÍLIA MONTEIRO

A 'Valorização Turística do Interior' constitui a terceira linha de apoios criada no âmbito do programa Valorizar, para o qual já tinham sido criados em 2016 apoios financeiros nas áreas de 'Turismo Acessível' ou 'Projetos Wifi em Centros Históricos', propondo-se apoiar o desenvolvimento dos projetos turísticos previstos no Programa Nacional para Coesão Territorial lançado pelo Governo.

Transformar Portugal num “país de caminhos”

Mitigar a sazonalidade e estender o turismo a todo o território, puxando em particular pelo interior e as zonas de baixa densidade, é uma prioridade assumida por Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo.

“Neste esforço da desconcentração da procura turística ao longo do ano inteiro e por todo o território, temos tido um papel ativo na recuperação de produtos como o 'Cycling & Walking' no Algarve”, exemplifica Ana Mendes Godinho, referindo-se ao programa lançado em 2016 destinado a “tornar o Algarve num dos grandes destinos na Europa para rotas pedestres e cicláveis”, o que envolveu as 16 câmaras do Algarve na recuperação e integração das atuais rotas existentes na região (Grande Rota do Guadiana a este, Ecovia do Algarve a sul, Rota Vicentina a oeste e via Algarviana que atravessa a região na diagonal).

“Houve um grande levantamento e um trabalho profundo com operadores turísticos especializados para promover o Algarve como destino de ano inteiro, não só associado à praia mas também ao turismo ativo e de natureza”, faz notar a secretária de Estado do Turismo. “Começámos pelo Algarve, mas a lógica é que isto seja um projeto-piloto para alastrar para todo o país, e em particular às zonas do interior. Temos o objetivo de transformar Portugal num país de caminhos”.