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Os malefícios dos cigarros eletrónicos

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O consumo de e-cigarros cresceu 900% entre os adolescentes nos EUA. Mas são muitos os seus perigos

Vivemos na era dos e-mails, dos iPhones, do e-commerce. O prefixo eletrónico anda por toda a parte e integra há muito a vida da geração de adolescentes do mundo inteiro. O mesmo se aplica aos cigarros. Com as indústrias tabaqueiras a serem as primeiras a admitir que os cigarros tradicionais estão condenados a desaparecer — e a procurarem substitutos —, surgiram novos produtos como o apelativo cigarro eletrónico. “Vapear” tornou-se uma moda e até criaram um verbo novo para o ato. E como qualquer moda que se preze, tomou conta dos adolescentes. Nos EUA, a adesão ao e-cigarette cresceu 900% entre 2011 e 2015, o que levou o Governo a emitir um alerta sobre os perigos do seu consumo.

“Vendidos” como benéficos para largar o hábito tabágico, os e-cigarros não contêm tabaco mas têm nicotina, o que gera dependência nos seus consumidores. E têm malefícios, sobretudo se estivermos a falar de cérebros em formação, como é o caso dos adolescentes. Por isso, a posição oficial do Governo Federal dos EUA é de alerta para que “todos os pais tomem posição contra a utilização de cigarros eletrónicos pelos jovens do nossos país”, explicou Vivek Murthy, cirurgião-geral daquele país.

Carlos Robalo Cordeiro, secretário-geral da Sociedade Respiratória Europeia de 2016 a 2019, e chefe do departamento de Pneumologia do Hospital Universitário de Coimbra, concorda que “a crescente experimentação de e-cigarros por parte de grupos mais vulneráveis, como as crianças e adolescentes, é especialmente preocupante”. “Os números nos EUA são alarmantes, sabendo-se também que a utilização do cigarro eletrónico é, muitas vezes, a forma como se inicia o consequente hábito tabágico.” O médico chama a atenção para o facto de “a vulgarização do ato de vapear poder contribuir para a reabilitação do comportamento, gesto e ato de fumar, mesmo em locais onde atualmente é proibido o uso de cigarro convencional, o que constitui um retrocesso nas campanhas que há muitos anos se vêm promovendo contra o tabaco e as suas consequências”. Finalmente, Carlos Robalo Cordeiro explica que por ser um produto bastante recente, o cigarro eletrónico carece de estudos sobre os seus efeitos na saúde.

“Apesar de serem potencialmente menos perigosos do que o cigarro convencional, os e-cigarros podem causar dependência e não são isentos de risco para a saúde, pois contêm substâncias aditivas, tóxicas, irritantes e cancerígenas embora em menor quantidade que os cigarros convencionais”. Já sabe: pode ser menos nocivo — mas nem por isso o e-cigarro é seguro ou inócuo.